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Luiz Paulo debate Economia Marrom no Dia Mundial do Meio Ambiente

O deputado Luiz Paulo levantou a questão da indústria marrom às vésperas da Rio +20 e, principalmente, no Dia Mundial do Meio Ambiente, ressaltando que vivemos num universo altamente poluente que sustenta o capitalismo atual e mais que isso, numa sociedade do consumo.

Luiz Paulo acredita que todos nós sem exceção somos incentivados e contaminados com um consumo exacerbado por todas as propagandas possiveis e imagináveis.

“A cada ano, as questões se agravam. Muitas medidas foram tomadas para minimizar as consequências ambientais da sociedade em que vivemos, do que ela produz no meio ambiente, mas há uma causa central, e é essa que quero abordar, que precisa ser profundamente discutida.

A indústria marrom, a economia marrom, altamente poluente, é a que sustenta o capitalismo atual, que comanda o projeto mundial, que se respalda no consumo. Ora, você tem uma sociedade em que as indústrias produtivas são mais poluentes, e elas produzem na roda do sistema para abastecer o consumo, consumo exacerbado cultuado por todas as propagandas possíveis e imagináveis: rádio, televisão, jornais, e mesmo a internet.”

Para ele, fica complicado avançar na questão ambiental enquanto não se pensar em como frear o consumismo. Não dá para pensar em uma economia verde se a sociedade também é marrom. O deputado dá o exemplo da redução de IPI para os automóveis, para estimular o consumo. Fazendo um comparativo com maio de 2011, o mês de maio de 2012 obteve um aumento de 10% nas vendas. Isso representa mais carros nas ruas e consequentemente mais poluição.

“Eu não vejo essa questão ser debatida com seriedade. Se você não mudar essa relação de produção, essa relação de consumismo ficará difícil você avançar na questão estrutural ambiental. Ficamos sempre, (…), na perfumaria. O simbolismo que você tem preocupação com o meio ambiente é plantar uma árvore. Seguramente, todos nós já plantamos dezenas de árvores. Mas não é essa a questão central, é também importante, mas não é a questão central. Eu me pergunto: o que temos feito para diminuir a concepção consumista da nossa sociedade?

Agora mesmo, ouvia, no rádio do carro, (…) que, em razão da redução da alíquota de IPI, a indústria automobilística, comparando os meses de maio de 2012 e 2011, cresceu as vendas em 10%. Os economistas vão dizer: alvíssaras! E o meio ambiente vai chorar. Não há possibilidade de salvação do planeta respaldada na indústria automobilística.

(…) Como se pode ter uma economia verde com uma sociedade altamente consumista? Os parâmetros também não fecham. Se não rediscutirmos para onde queremos direcionar a economia, vamos continuar nesse impasse. Essa rediscussão não tem que ser de caráter sentimental. Ela é de caráter da necessidade.

Costumo dizer que vivemos um momento histórico. Somos todos, sob o ponto de vista ambiental, passageiros do mesmo barco: ou vamos para a salvação juntos ou vamos naufragar coletivamente. “

Ele questiona ainda se a Rio+20 vai efetivamente pôr a questão da alternativas para a economia marrom na pauta. Salienta ainda que não basta pensar no agora. É preciso pensar nas reservas naturais que deixaremos para o futuro.

“Será que a Rio+20 vai, objetivamente, pautar o assunto, apresentando uma proposta pelo menos moderadora para essa questão? Essa é a minha grande dúvida. Tudo o que tem sido feito até agora é muito importante, mas absolutamente insuficiente para enfrentar a grandeza do planeta”