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Prefeito Eduardo Paes, desculpas não bastam, por Luiz Paulo

É preciso que os homens públicos estejam à altura do papel que se propõem a assumir
 
Em 2008, como candidato a vice-prefeito da cidade do Rio de Janeiro, com Fernando Gabeira, candidato a prefeito, vivenciei uma situação que deve nos servir de referência.
 
Naquele momento, eu e a deputada Lucinha considerávamos que a Zona Oeste, mais precisamente Paciência, não deveria abrigar o aterro sanitário. Éramos intransigentes a esse respeito, travando lutas em todas as instâncias judiciais.
 
O candidato Fernando Gabeira, ao telefone, ao se referir à posição da deputada Lucinha, que eu também corroborava, comentou que essa era uma posição muito suburbana. No seu entendimento, o destino final do lixo não deveria subordinar-se a visão local, mas ser definido a partir de uma visão global do problema do lixo.
 
À época, a cúpula do PMDB, que sustentava a candidatura de Eduardo Paes, fez campanha violentíssima contra nossa chapa, afirmando tratar-se de preconceito contra o subúrbio. Gabeira, o único político que vi na minha vida realmente liberal, sem preconceito em relação a nada, o que se expressa em suas principais lutas e bandeiras, foi taxado como preconceituoso, quando não havia nenhuma ofensa, somente um conceito de sustentabilidade mais global.
 
Foi um estardalhaço, inclusive com panfletos apócrifos. Era o poder, com todos juntos distorcendo um fato à exaustão. Vale lembrar que, valendo-se de muitas artimanhas, tiveram vitória apertada.
 
O mundo dá muitas voltas. Fomos surpreendidos, ontem, com uma conversa do prefeito Eduardo Paes com o ex-presidente da república, Lula. Fiquei estarrecido. Com quê? Simplesmente, com os termos da conversa de um prefeito no exercício do mandato, com um ex-presidente. Conversa eivada de preconceitos do prefeito contra os pobres; contra municípios de nosso estado, como Maricá. Aliás, pessimamente administrado pelo PT e abrigando em cargos comissionados um imenso número de pessoas do partido. Mas todos os preconceitos foram revelados “de brincadeira”, que, muitas vezes, revelam os piores sentimentos.
 
O prefeito Eduardo Paes veio a público pedir desculpas pela brincadeira de péssimo gosto. Inclusive à cidade de Maricá. Mas, como a verdade sempre aparece, cometeu outro erro grosseiro: disse que este tipo de brincadeira faz parte do espírito do carioca. Pode ser do espírito dele; do carioca não, porque não somos um povo preconceituoso. Esta afirmação não condiz com a verdade. Mas quem semeia vento muitas vezes colhe tempestade; quem com ferro fere muitas vezes com ferro é ferido.
 
Há um grande volume de posições preconceituosas se acumulando. No meio da semana, foi a denúncia de uma médica por assédio moral, agravada por ficar comprovado que o prefeito do Rio não entende sua função institucional, porque considera-se “patrão” de servidores. Não compreende que é somente um gestor dos recursos públicos oriundos dos impostos pagos por todos nós. Na verdade, ele é que é “empregado” da população de sua cidade.
 
Araruama foi arrolada, pelo prefeito, como município de menor importância. Ora, cada município tem suas características naturais importantes e suas possibilidades de desenvolvimento. Não cabe juízo de valor baseado em posturas preconceituosas, principalmente de homens públicos que têm responsabilidades administrativas. Qualquer comentário que desmereça região ou localidade atinge quem lá nasceu e quem lá reside. É uma forma cruel de preconceito contra o cidadão e a cidadã que, com seu trabalho, geram os recursos necessários ao desenvolvimento e, na maioria das vezes, não têm o retorno em políticas públicas consistentes que lhes são devidas.
 
Mesmo com o prefeito Eduardo Paes vindo a público se desculpar, a mácula ficou. Afinal, o Rio é a capital de nosso estado, o centro de uma região metropolitana importante nacionalmente. Cabe a quem teve a honra de ser escolhido seu prefeito dar ao cargo a importância devida e ter a consequente responsabilidade que o acompanha. Ou seja, ser homem público competente, trabalhador, honesto, com comportamento ético inatacável, além de comportamento que corresponda à importante missão.
 
Gostaria de encerrar este comentário, lembrando que, ao gestor público, cabe também dirigir-se às pessoas com a civilidade necessária à boa convivência. Vale acrescentar que, nas palavras e expressões usadas, nem o prefeito do Rio nem o ex-presidente da república parecem compreender a importância do cargo que exerce um e exerceu o outro. O que é lamentável. O Brasil precisa construir-se como um grande país, cada cidade tem a mesma missão, mas é preciso que os homens públicos estejam à altura desse papel. O que não se tem visto muito por aqui.

Assista o o discurso na integra
https://youtu.be/8TKqfH3JN18

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