As dificuldades de uma cidadã carioca, por Lurdinha Henriques

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Acervo da Alerj

Tendo em vista que li com atenção o presente texto e concordo com o mérito do mesmo, passo a divulgá-lo, Luiz Paulo.

Crenças são crenças e não cabem na gestão pública. Se aproxima o dia 30 de outubro, momento do 2º turno das eleições para prefeito em nossa cidade do Rio de Janeiro, após uma campanha curta e atropelada por Olimpíadas, impeachment da presidente Dilma, cassação de Eduardo Cunha, Paralimpíadas, eventos que, pelas circunstâncias, se transformaram numa cortina de fumaça a esconder escolha tão importante. Afinal, após o império de Eduardo Paes, era chegada a hora de se pensar em outro tipo de administração. A população do Rio levou ao 2º turno os dois Marcelos e deixou-nos numa encruzilhada. Pelo menos alguns de nós ou, quem sabe, muitos. Veremos em breve.

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Coloca-se, hoje, uma escolha que, pessoalmente, acho difícil fazer. Escolher entre duas crenças com as quais não comungo. No frigir dos ovos, crenças são crenças e não cabem na gestão pública. O que cabe na gestão pública é ética, transparência, competência, respeito ao cidadão, compromisso público. Com base nos princípios constitucionais do art. 37: legalidade, impessoalidade, finalidade, moralidade, publicidade. E aí, o que fazer da vida?

Nesse momento delicado e contraditório, partidos posicionam-se para um lado ou outro, como se suas indicações dirigissem o voto do cidadão. Com o prestígio profundamente comprometido e a população desesperançada, desacreditada, que coloca na conta dos políticos – não sem razão – as consequências danosas que a atingem, esta é esperança vã. Contra a parede pelas sucessivas crises em todas as esferas e pelos sucessivos escândalos envolvendo altas cifras nunca dantes imaginadas, com políticos e empresários do mesmo lado do balcão, como as pessoas podem confiar em indicações? Mas a vida segue seu curso e os líderes, ou que se consideram líderes, continuam a se posicionar, tornando públicas suas escolhas e, muitos, seus interesses em cargos disponíveis na próxima estrutura municipal. Como se não houvesse amanhã. E não houvesse ontem e hoje. Numa incrível amnésia política e num desvario em nome de algum poder sempre almejado. Uma repetição dramática da postura de sempre. E ainda temos candidato que, na luz do dia, diz não negociar cargos, mas que pela sua rede de apoios nos leva a uma descrença total nessa afirmação. A pureza apresentada ao grande público é fraude. Terrível, não?

Portanto, parece-me que só há um caminho a percorrer: o que couber na consciência de cada um, o caminho que permita colocar a cabeça no travesseiro e saber que fez o melhor nas condições adversas em que fez sua escolha. Momento difícil.

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