Contra a crise hídrica são necessárias medidas urgentes

Mais uma vez abordo, como fiz ao longo de toda a campanha, o tema da crise hídrica que abala o nosso País, em especial os Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Agora, terminadas as eleições, os Chefes dos Executivos acordaram em relação à crise hídrica.

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Em São Paulo ela já foi objeto de discussões ao longo de toda a campanha, tanto é que parte da população decorou que lá havia uma represa chamada Cantareira.

O nível da água baixou tanto que foi preciso utilizar as reservas mortas de água, duas reservas. O que querem dizer essas reservas mortas? Quando se bota régua de medição na represa não se toca com a régua no fundo, ela fica um pouco acima do fundo. Já se está utilizando tudo aquilo que estava abaixo do zero da régua de medição.

Parcela da população se surpreendeu quando verificou que também as reservas do Estado do Rio de Janeiro, em média, estão apenas com 5,5% de sua capacidade. Até o lago da Quinta da Boa Vista havia secado e por que, guardadas as devidas proporções, outras reservas não teriam sido atingidas? E assim o foram.

Os jornais estampam que os Governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro fizeram uma estimativa dos recursos necessários para investimentos imediatos e futuros, que chegariam a R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões para São Paulo e R$ 5 bilhões para o Rio de Janeiro. Pergunto: por que isso não constava do PPA – Plano Plurianual – visto que, se era algo previsível, deveria fazer parte do planejamento dos investimentos para quatro anos.

Valores dessa ordem de grandeza são quase que de investimentos decenais, e tais recursos seriam solicitados à União – que também tem grande responsabilidade nisso.

O Rio Paraíba do Sul nasce em São Paulo, corta os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais e deságua no Município de Campos dos Goytacazes. A União também, ao longo desses anos, se omitiu fortemente sobre essa questão.

Há um fato no qual ninguém ainda está se aprofundando: o regime de chuvas no Sul e Sudeste, principalmente no Sudeste, mas não só nele, vem sendo abalado há algum tempo. Esta já é considerada a maior seca no Sudeste dos últimos quarenta anos, porque há uma alteração profunda nesse regime de chuvas. Por quê? Porque é devastador o aumento do desmatamento na região amazônica, em função dos cortes de madeira de lei, principalmente para exportação, mas também por conta do agronegócio.

Quanto mais devastam a região amazônica, mais se altera o regime de chuvas. Muitas vezes as pessoas imaginam que as chuvas do Sudeste se dão apenas pelas frentes frias que vêm do Sul quando, na verdade, o regime de chuvas se dá por causa de toda evaporação que se dá na região amazônica; as nuvens que se formam são bloqueadas pela Cordilheira dos Andes e aqui, encontrando o calor típico que temos, não só no verão, as precipitações se tornam volumétricas, abastecendo os mananciais do rio Paraíba do Sul.

Então, diante desse colapso de atitudes, há que se tomar medidas urgentes. Se imaginarmos que aproximadamente 50% do volume de água do rio Paraíba do Sul é perdida em função da carga de esgoto que se lança naquele rio, de Barra do Piraí para cima, iremos constatar como é triste a política de saneamento básico na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul. E por que de Barra do Piraí para cima? Porque é lá que está a Represa de Santana, que segura as águas do Paraíba do Sul. Essa água é bombeada, inverte o curso do rio Piraí, promove uma queda, gera energia e vem formar o Sistema Guandu.

O Governo do Estado tem um projeto de duplicação do Guandu. Mas o rio Guandu é uma obra de ficção. O rio Guandu é formado pelo rio Paraíba do Sul, barrado em Santana, no município de Barra do Piraí. Então, se não tratarmos especificamente as águas do Paraíba do Sul, evidentemente não existirá em abundância no Sistema Guandu e nas ampliações do próprio Sistema Guandu.

Portanto, é mais do que urgente: 1- cortar os efluentes de esgoto que são lançados no rio Paraíba do Sul; 2- diminuir as perdas de água do Sistema Guandu. Nesse aspecto, cabe a explicação seguinte: o Sistema Guandu produz 45m³/segundo de água; o Sistema Imunana-Laranjal deve estar produzindo uns 7m³/segundo em São Gonçalo. Se as perdas físicas totalizarem 40%, segundo estimativas, está-se jogando fora 18m³/segundo, praticamente duas vezes e meia o que produz Imunana-Laranjal.

Minorar a crise hídrica é trabalhar para diminuir essas perdas. As grandes adutoras do Guandu, feitas no Governo de Carlos Lacerda, já estão com suas vidas úteis, cinquentenárias, praticamente extintas. Precisam ser substituídas, para segurança do sistema e para diminuir os próprios vazamentos.

Há muito que se fazer para minorar a crise hídrica que estamos vivendo e que vai se estender por 2016, mesmo com o verão, pela frente, que se anuncia como normal.

Mas a verdade é que todos esses rios secaram, essas grandes represas secaram. Até elas encherem novamente, todo o solo existente terá que saturar para depois a água brotar à superfície. Não dá para acontecer isso em apenas um verão. Vamos hoje contar mais uma vez com os nossos governantes e com a ajuda daquele que é o padroeiro das chuvas, São Pedro, para ver se as águas vertem dos céus nos mananciais do Rio Paraíba do Sul a fim de minorar a nossa crise. Infelizmente os nossos governantes – no plural – foram imprudentes e incapazes de fazer os investimentos que possibilitariam que tal ordem de afetação não tivesse acontecendo nas nossas redes de distribuição de água potável.

Deputado Luiz Paulo

Leia aqui a matéria do jornal O Globo sobre o assunto, com destaque para a crise hídrica que assola 13 estados.

Os deputados Luiz Paulo e Paulo Ramos falaram sobre a crise hídrica que afeta o país, no programa Alerj Debate de 10/11/14. Assista abaixo:

Bloco 1:

Bloco 2:

 

 

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