Luiz Paulo pede bom senso ao prefeito no tratamento dos elevados do Joá e Perimetral

O deputado Luiz Paulo, em seu discurso na Alerj, comentou a manchete do Jornal O Globo, em que a COPPE diagnostica que o Elevado do Joá precisaria ser demolido por causa da sua péssima conservação. Em contrapartida, o elevado da Perimetral que se encontra em ótimo estado será derrubado pela ordem e vontade de quem Luiz Paulo chama de “Príncipe Regente”.

“O que quero discutir é uma das manchetes dos jornais de hoje, especificamente do jornal O Globo, que a Coppe, órgão de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, diagnosticou que o Elevado do Joá precisaria ser demolido para se construir outro no local. Aliás, diagnósticos similares aos do Elevado do Joá já aconteceram, o que vem fazendo com que sucessivos projetos de recuperação do Elevado aconteçam, eis que ele está sujeito a um intenso processo de corrosão porque seus pilares, e até mesmo as vigas, estão próximos à arrebentação das ondas. E as ondas, quando arrebentam contra as pedras, a água, cheia de salinidade, vai cair sobre a estrutura. Sal e ferro nunca combinaram, o que ajuda no processo de corrosão.

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, onde se encontra o “príncipe regente”, isto é, o prefeito reeleito, gritou que talvez não fosse preciso. Eu até concordo. A Coppe disse que é necessária a demolição, vamos pedir laudos de outras instituições também de credibilidade. Ninguém é dono absoluto da verdade para fazer prognósticos em cima de um dado real.

Há que, também, se cotejar custos: fazer uma amplíssima recuperação seria ou não mais caro do que se construir outro elevado?

Não estou contestando a decisão do “príncipe regente” de pedir outros laudos para que se tenha um senso comum sobre a matéria. Mas, por que o faria? Primeiro, para economizar recursos públicos. Não há dúvida de que qualquer demolição e reconstrução serão muito, mas muito mais caras do que uma recuperação. Primeiro ponto: preservar o erário. Segundo: não turvar o trânsito de São Conrado e Barra mais do que já está turvado.

Parece até uma medida sensata, sensatez que não existe em relação ao Elevado da Perimetral. O Elevado da Perimetral que está em excelente estado, pode durar décadas, o “príncipe regente” quer demolir e enterrar R$1.5 bilhão para favorecer empresas de engenharia.

Sob o ponto de vista de turvar o tráfego, irá turvar intensamente, porque vai fazer um túnel que, em termos de trânsito, vai trocar seis por meia dúzia. Um túnel a 30 metros de profundidade, abaixo do lençol freático e abaixo do nível do mar. E vai querer derrubar uma via elevada que é uma via metropolitana, sobre a qual ele não tem autoridade, como “príncipe regente” da Cidade do Rio de Janeiro, para demolir. O Elevado da Perimetral dá acesso à Avenida Brasil, à Linha Vermelha e à Ponte Rio-Niterói. É uma questão metropolitana, mas se acha ungido pelo aplauso da mídia e vai demolir.

Eu queria que houvesse só coerência. O bom senso com que ele quer tratar o Elevado do Joá seria o mesmo bom senso com que ele deveria tratar o Elevado da Perimetral.

Aliás, (…), parece que quando o objetivo é favorecer os mais fortes, a Prefeitura e o Governo do Estado combinam. V.Exa. e o Deputado Paulo Ramos devem ter lido no jornal O Globo de ontem que a Linha 4 do Metrô, que tinha um orçamento previsto de R$ 5 bilhões – sem a obra ter iniciada – aumentou 70%. Foi para R$ 8,5 bilhões e desses 16 km dessa pseudo Linha 4, R$ 1 bilhão vai ser da iniciativa privada, que corresponde talvez a uns 6 km, porque é o trecho Barra/Jardim Oceânico/ São Conrado/Gávea, e da Gávea até a General Osório, que vai ser dinheiro público, da fonte do Tesouro, de empréstimos, vai custar R$ 7,5 bilhões. Vai ser o metrô mais caro do mundo e a obra mal está começando. O que poderíamos esperar? Se o Maracanã custa R$ 1 bilhão, o Metrô vai custar R$ 7,5 bilhões.

O Prefeito – isto é, o “Príncipe Regente” – jamais opinou sobre essa questão. Parece que aquela obra está sendo feito na Tanzânia e não na Cidade do Rio de Janeiro; em contrapartida o Governo do Estado sequer abre a boca para se insurgir contra a demolição do elevado da Avenida Perimetral. Por quê? É uma troca e quem é beneficiado são sempre os mesmos e não é o povo fluminense; não é o povo da Região Metropolitana, tampouco da Cidade do Rio de Janeiro.

O Deputado Paulo Ramos estava aqui comigo na sexta-feira, em um evento, em relação ao cooperativismo. Saí do evento às 20h15. Reneguei o jantar porque tinha outro compromisso. Saí da Cidade às 20h15, Deputado Gerson Bergher, e queria ir para a Linha Vermelha. Cheguei à Linha Vermelha 15min para 23 horas.

A Cidade estava toda parada, não havia um operador de trânsito nos semáforos porque entre 15 e 16 horas aconteceu um acidente na Avenida Brasil; deu refluxo para o Centro e para a Perimetral e parou a Cidade toda, porque os cruzamentos ficaram interceptados.

Para não faltar à verdade, encontrei um operador de trânsito no semáforo; no resto, não havia ninguém na rua. O bloqueio do Centro foi tão grande que quando consegui, às 23 horas, ingressar na Linha Vermelha, não tinha carro nenhum porque ninguém chegava lá.

Imagine a demolição da Perimetral e a construção do túnel! Vai parar a Região Metropolitana e o “Príncipe Regente” vai dizer assim: “Botamos o bode na sala, agora, daqui a três anos, quando retirarmos o bode da sala, todo mundo se sentirá feliz”. Mas aí, vai se enganar porque será um congestionamento perpétuo.

Dentro do túnel, Deputado Presidente, nos ensina a engenharia de trânsito que você tem o efeito confinamento. Você diminui a velocidade, você tem ofuscamento. Então, os problemas de você trafegar em túnel são muito superiores aos problemas de você trafegar a céu aberto.

Por isso, chamo a atenção para essa matéria de hoje, lembrando o congestionamento de sexta-feira e do custo vultoso, principesco, que vai ter a Linha 4:, 8,5 bilhões de reais, 70% de acréscimo, obra sem licitação, porque a concessão era Morro do São João/Gávea. Mudaram de Morro do São João para Praça General Osório e, com isso, disseram que bastando mudar a Praça General Osório e vindo com o traçado não mais por Humaitá, por Ipanema e Leblon, era a mesma obra, e deram sem licitação, e isso aqui no Estado do Rio de Janeiro pode.

Cadê as instituições fiscalizadoras? São todas silentes. Temos que também repercutir essa matéria. Que as leis, Sr. Presidente, sejam para todos.”