Luiz Paulo salienta importância de Centro de Prevenção de Catástrofes

O deputado Luiz Paulo fez uma importante colocação na semana passada, ao comentar a tragédia causada pelo furacão Sandy nos EUA. Ele insistiu na criação de um centro de prevenção de catástrofes nacional, com um sistema integrado de defesa civil, para que novas tragédias como a ocorrida em 2011 na Região Serrana não tornem a se repetir.

“No dia de hoje os jornais estão repercutindo – entre vários temas – as eleições que se aproximam nos EUA, entre o Presidente atual do partido Democrata, Barack Obama, e o candidato republicano, Mitt Romney, além das especulações sobre a possibilidade de eles estarem em situação muito similar em termos das pesquisas de opinião.

Verifico que houve um fato novo que, seguramente, influenciará o resultado final, certamente dando vitória a Barack Obama, que é o furacão Sandy, pois ficou demonstrado, primeiro, que numa tragédia de características atmosféricas de grande consequência – como foi a associação do furacão Sandy, entrando numa zona de baixa pressão e encontrando uma imensa frente fria – exige-se do Presidente da República uma atuação muito forte de, quase pessoalmente, coordenar todas as equipes de Defesa Civil.

O passo primeiro foi mostrar claramente que a Defesa Civil precisa, antes, de ter um sistema de alerta preventivo – o que foi feito e do que carecemos em nosso estado, de forma mais efetiva. A inexistência desse sistema de alerta foi um dos responsáveis pelo tamanho da tragédia das chuvas da Região Serrana. O sistema de alerta nos EUA funcionou, anunciando a entrada do furacão. É claro que em vez anterior houve o mesmo alerta, e o furacão virou apenas uma tempestade.

Segundo, houve a necessidade de remoção, nas áreas mais baixas, de milhares e milhares de pessoas, e o sistema de Defesa Civil agiu nesse sentido. Os estados mais atingidos – Nova Iorque e Nova Jersei – e a União estiveram mobilizados o tempo todo, inclusive chamando um voluntariado orgânico também para ajudar no processo de recuperação.

É claro que isso vai mostrar ao eleitor americano a importância da organicidade e da pronta ação em resposta da equipe organizada pelo Presidente da República, até porque no Estado de Nova Jersei ele aparece lado a lado no socorro e na organização de Defesa Civil, com o Governador de Nova Jersey, que é do partido republicano e não do Partido Democrata. Então, acho que esse fato vai ser decisivo na definição das eleições de duas forças que estavam, até o presente momento, em equilíbrio.

Estou voltando a este tema porque estão sendo recorrentes esses desastres naturais em intervalos de tempo muito curtos. Lembro que o próprio furacão Sandy, antes de chegar às costas de Nova Iorque e de Nova Jersey, fez um estrago muito grande também no Caribe, em Cuba e no Haiti. Isso tem que ser paradigma para o nosso País.

Ontem, o Deputado Samuel Malafaia da aproximação do funcionamento de Angra 3. Angra 1, 2 e 3 estão praticamente na faixa marinha da Baía de Angra. Sobre as usinas, em cota talvez uns dez metros acima, está lá a BR 101 e depois uma encosta totalmente instável. Plano de fuga: tudo pela BR 101. Imaginem a ocorrência de, não um Sandy da vida, porque não é característica das nossas costas, mas um ciclone antitropical afetando aquela região; provocando mar revolto, ondas maiores, associado, no verão, acumulus nimbus com chuvas de grande intensidade? Isso pode gerar um acidente de grandes proporções. Isso já foi objeto de Audiência Pública aqui e cada vez mais nós ficamos inseguros.

Os Estados Unidos já começam a discutir (está nos jornais de hoje) a construção de diques de barragens para evitar a entrada da água Nova Iorque adentro. Não vejo aqui nada, efetivamente, sendo feito em relação à Angra 1, 2 e 3.

(…) tenho defendido aqui – e até seguidamente Emendei os Orçamentos de 2011 e de 2012, sem conseguir êxito, e acho que deveria haver, agora a União começou a estruturar isso, um Centro Nacional de Prevenção às Catástrofes.

De toda natureza, quer sejam por eventos climáticos oriundos de temporais, de furacões, de tremores de terra, em função de derramamento de óleo na exploração de pré-sal, pelos incêndios tão peculiares em nossas reservas e também das vegetações rasteiras em período de estiagem nos grandes derramamentos de substâncias químicas tóxicas, no mar ou em nossos sistemas hidroviários ou mesmo em rios e canais, haveria esse Centro Nacional de Prevenção às Catástrofes. E nesse Centro Nacional de Prevenção teria uma rede de radares para monitorar tudo isso, em nível de Brasil. Esse seria o primeiro sistema de alerta.

E, é claro, cada radar desses em nível de Brasil também poderia ser complementado em cada Estado, como no Rio de Janeiro, para que não houvesse nenhuma zona morta, neutra em nosso Estado que não fosse observada pelo sistema de radares. Cada Estado poderia ter também o seu Centro de Prevenção de Catástrofes interligado com o Nacional para maximizar a utilização dos sistemas, sempre conveniado com as universidades por causa das inovações tecnológicas necessárias. E os sistemas de defesa civil municipais receberiam esses dados de alerta para, junto com o Estado, tomar as medidas preventivas ou até mesmo usar os modos mais primários possíveis para alertas locais em comunidades sujeitas a escorregamento, etc.

Não há como, em nosso país, não ter um sistema integrado de defesa civil em que participem a União, os Estados e os Municípios. Isso é mais relevante do que tudo. Porque o entendimento de defesa civil aqui é praticamente atender as vítimas, quando a essência é diminuir o número de vítimas.

Nos Estados Unidos, eu dizia aqui ontem, não sei o número final de mortos que haverá em Nova Iorque. Então, admitindo que chegue a 40. Vai somar Nova Iorque, Nova Jersey, etc. que chegue a 70. Mas se você pegar só Nova Iorque – em que a região atingida, não foi Nova Iorque inteira – a região mais baixa de Nova Iorque tem 2,3 milhões de pessoas e apesar de qualquer morte ser uma lástima, em tese esse número é pequeno diante da dimensão do número de habitantes existentes na área atingida.

Na Região Serrana esse número passou de mil e até hoje fala-se em 1700, ainda há corpos que não foram encontrados, pode ser 1800, enfim, um número imenso diante da população existente.

Aconteceu a catástrofe na Região Serrana, maremoto no Japão, pegando uma usina nuclear, agora o Sandy pegou o Caribe e o Estados Unidos. Em que espaço de tempo isso ocorreu? No espaço de três anos. Um espaço curto! Então, as catástrofes estão sendo recorrentes e a preparação para isso não tem tido a mesma velocidade. Por isso procurei falar sobre esse tema, porque estamos na metade da primavera e daqui a 50 dias estaremos entrando no verão. Com isso, a apreensão, o medo, a angústia, principalmente nas áreas mais fragilizadas, ficam à flor da pele.”