Luiz Paulo comenta problemas na Zona Oeste

O deputado Luiz Paulo, em seu expediente final, hoje na Alerj, comentou sobre a matéria veiculada no Jornal O Globo, onde mostra que a CSA não cumpriu as mais de 100 exigências ambientais. Luiz Paulo acredita que o Governo ainda está no mundo do faz de conta e não percebe, ou não quer perceber a situação dramática que a Zona Oeste vive. Não só a CSA que enche de fuligem os pulmões da população lindeira e que ganhará mais 12 meses de prazo para cumprir(e , caso não seja cumprido, terá como pena, R$10mi de reais, algo irrisório) como também os problemas com segurança pública que assolam a região, principalmente em Santa Cruz.

O Governo, não diz quais são as exigências ambientais que a CSA deverá cumprir, não se preocupa com a realidade da Zona Oeste, que sofre com narcotráfico e milicia, simplesmente porque não gera noticia. Para Luiz Paulo,o Rio se transformou em uma cidade partida, pois para o Governo, a cidade vai da Tijuca à Zona Sul. Não se deve privilegiar uma região em detrimento de outra. A solução é instalar uma UPP urgentemente na Zona Oeste, mais precisamente em Santa Cruz. E mais: o deputado desafia qualquer parlamentar da base do Governo a demonstrar em Plenário que a segurança pública avançou na Zona Oeste.

Veja abaixo a íntegra do discurso.

“Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estava eu, ao lado da Deputada Lucinha, lendo a matéria do jornal O Globo que informa que o Governo do Estado, continuando o seu processo de faz de conta com a CSA, deu à mesma prazo de um ano para que cumprisse 130 exigências ambientais. Enquanto isso, Deputado Paulo Ramos – V. Exa. se referiu ao mesmo tema –, a população vizinha da CSA, de Santa Cruz, da reta do João XXIII, fica abandonada à sua própria sorte.

A Deputada Lucinha está fazendo exatamente um ano e três meses de mandato nesta Casa. Desde o primeiro dia, vem ela lutando para que a CSA cumpra de fato as exigências ambientais e pare de jogar fuligem nos pulmões da população de Santa Cruz. Quinze meses se passaram e nada de concreto aconteceu. Agora, vem o Governo do Estado dar mais 12 meses de prazo – caso não seja cumprido, a CSA receberá uma multa de 10 milhões de reais, como se esse valor fosse profundamente representativo – e não divulga o Inea os 130 quesitos. A publicidade desses 103 itens tem que ser feita para a população conhecer os descumprimentos que a CSA está produzindo ao processar o ferro gusa, adicionado de carvão, para que o mesmo vire aço.

Estamos mais uma vez chamando atenção para este tema porque é recorrente.

A Deputada Lucinha, o Deputado Paulo Ramos, a Deputada Janira e tantos outros Deputados já vêm se pronunciando sobre este tema, mas a realidade não se altera.

A população da Zona Oeste está sempre envolta em temas de risco, Deputado Waguinho. Quando não são os crimes ambientais cometidos pela CSA, são os crimes cometidos pelo narcotráfico. Quando não são os crimes do narcotráfico, são os crimes das milícias. É criminalidade por todos os lados. O Governo interpreta a questão da segurança pública da Tijuca à Zona Sul. A cidade, hoje, é de fato uma cidade partida. Metade da cidade tem alguma UPP, e outra metade, que é a Zona Oeste, não tem UPP alguma.

Essa questão é inaceitável, porque as vidas são representativas e iguais em qualquer parte desta Cidade. Não podemos privilegiar uma região em detrimento da outra apenas porque uma região dá mais notícia nos jornais. A realidade da segurança pública na Zona Oeste não mudou em nada. Desafio qualquer parlamentar da base do Governo vir a este púlpito e demonstrar que a segurança pública na Zona Oeste avançou. Não avançou!

As milícias mudaram de nome. O narcotráfico, lá continua. As kombis e vans usadas pela milícia lá continuam e, aparentando legalidade, ainda há a CSA cometendo crimes ambientais sucessivos. Essa é a dura realidade que vive o povo da Zona Oeste. Por isso, Sr. Presidente, somos obrigados a chamar a atenção sobre a matéria jornalística de O Globo de hoje, e, ao mesmo tempo, solicitar ao Sr. Secretário de Segurança Pública que – de imediato – providencie UPP para a Zona Oeste, principalmente naquele eixo de Santa Cruz onde existem as comunidades do Rola, de Antares e tantas outras carentes.

A notícia não chega aqui com a gravidade devida. E sem que o noticiário mostre a tristeza e opressão com que vive o povo da região, o poder constituído não toma as providências devidas. V.Exa., Sr. Presidente, vive numa outra região e seguramente não vai criticá-la. Como se a Segurança Pública no Norte fluminense tivesse resolvido.

Outro dia estive em uma reunião em São Francisco do Itabapoana. A comunidade me procurou para dizer: “Deputado, aqui está implantada a política dos sequestros-relâmpago e de invasão à casa das pessoas, porque o Batalhão daqui é insuficiente, porque a grande maioria foi retirada da região”. A mesma queixa, Deputada Lucinha, de São Francisco do Itabapoana é a da Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro. O policiamento dos batalhões absolutamente precários em relação à necessidade real de cada uma dessas regiões. Jogos Olímpicos são atividades que existem para reforçar a qualidade vida do cidadão e não para focar somente nas regiões em que esses eventos irão ocorrer.

Por isso, Sr. Presidente, use seu poder e interfira junto ao Secretário de Estado de Segurança Pública para levar UPPs para a Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro, principalmente para Santa Cruz e Campo Grande.

Muito obrigado.”