Luiz Paulo analisa governos e reportagem em Plenário

 

O deputado Luiz Paulo comentou no Expediente Final, ontem (13/12) no Plenário, o governo PT e os antecessores como exemplo e voltou a repercutir a matéria da revista Veja.

 

“ Todo partido político quando governa é objeto de elogios e críticas, porque quem está no poder acerta e erra. Estamos sempre querendo que os governantes acertem muito mais do que errem. Essa análise vai perdurar.

Queria lembrar a V.Exa., que é um homem que não tem memória curta, que no Governo Sarney, este mesmo Sarney que preside o Senado Federal, que é aliado inseparável do Partido dos Trabalhadores, foi Presidente da República. E como Presidente da República, ele, sucedendo a campanha de Tancredo Neves por morte do mesmo, levou o Brasil economicamente à falência.

Nos anos de 1991, 1992, o Brasil chegou a ter inflação de 80% ao mês. Não era ao ano não, Sr. Presidente, era ao mês. E o Sarney saiu na maior impopularidade possível, xingado pelo Partido dos Trabalhadores. E foi buscar um abrigo em outra unidade da Federação que não o Maranhão, para se eleger Senador.

O substituiu Fernando Collor de Mello, que ganhou de Lula no segundo turno, e o Estado do Rio de Janeiro deu a Lula naquela oportunidade sob a égide de Leonel de Moura Brizola, 70% dos votos úteis de nosso Estado. Mas o vitorioso foi Collor de Mello que, no último debate, esmagou o Lula revelando ao Brasil a vida íntima de Lula. E Collor ganhou as eleições.

Depois, ele foi afastado do cargo de Presidente da República porque ele e sua família desviaram dinheiro do erário. E foi achincalhado justamente pelo Partido dos Trabalhadores. E Fernando Collor de Mello junto com Sarney são a base do Governo do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal.

Sucedeu Collor de Mello que era seu vice, o grande mineiro Itamar Franco, que convidou para ser seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. E Itamar Franco Presidente com Fernando Henrique como Ministro da Fazenda e um grupo de economistas tiveram o pulo do gato, que foi a criação da famosa URV, que foi ajustando o Cruzeiro para o Real.

E o Lula era o franco favorito nas eleições de 1994. Talvez, há um mês antes das eleições ele tivesse expectativa de ganhar no primeiro turno. E Fernando Henrique, na época do carnaval, me lembro bem, há dois meses antes das convenções, tinha 6%.

Um dia, fui à Zona Oeste e me encontrei com a Lucinha, que em 1994 nem era Vereadora. E ela me disse a seguinte frase: “Olha, Luiz Paulo, por causa do Plano Real que estava se iniciando com a URV, já começou ser muito falado aqui na Zona Oeste, um tal de Fernando. E esse tal de Fernando era o Fernando Henrique Cardoso, que ganhou a eleição e o Plano Real foi implantado neste País.

Até hoje, desde 1994, e vamos marcar 1º de janeiro de 1995, eu estou falando 1994 – Itamar; em 1º de janeiro de 1995, Fernando Henrique Cardoso, que a inflação deste País oscila de um ano para outro em torno de 6% e já se foram praticamente 17 anos indo para 18.

Essa conquista do povo brasileiro deve-se ao grande mineiro Itamar Franco e aos oito anos de gestão de Fernando Henrique Cardoso. E posteriormente também aos oito anos, na área econômica, de gestão de Lula que copiou ipsis literis o projeto de Fernando Henrique Cardoso. Mas vou dar para V. Exa. 80 itens que marcaram a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Somente agora, nove anos depois de ele deixar o governo o povo brasileiro começa a reconhecer a grande obra deixada para este País, apesar de termos alguns petistas que querem rememorar o passado de forma negativa, esquecendo do presente que jamais, na História do nosso País, tivemos em um ano de governo presidencial sete ministros demitidos: seis por corrupção e um porque preventivamente falou demais para sair sem outros constrangimentos, que foi o Ministro Jobim.

Estou dizendo isso, Sr. Presidente, porque estive recentemente no lançamento do livro de Fernando Henrique Cardoso, no Fashion Mall, numa livraria e esta livraria se tornou muito pequena para o volume de pessoas que foram assistir à participação dele num talk show, quer dizer, ser entrevistado por três jornalistas do jornal O Globo. Ele teve que dizer que só daria o autógrafo para os cem primeiros que chegaram com senha porque seria impossível ele ficar autografando e as pessoas foram lá com suas próprias pernas, na hora do rush porque reconhecem, em Fernando Henrique Cardoso, um grande estadista.

Afirmo isso, Sr. Presidente, porque me referi no Expediente Inicial. Eu conclamo os Srs. Deputados lerem a revista Veja de domingo passado. É estarrecedor como parte do Partido dos Trabalhadores se tornou um antro de alcoviteiros. Em Minas Gerais, dois Deputados Estaduais do PT, junto com um estelionatário chamado Nilton não sei das quantas, forjaram a lista de Furnas, toda ela falsa, no período da CPI dos Correios, que lá aqueles nomes teriam recebido dinheiro de Furnas. Era falso o carimbo de Furnas, eram falsas as assinaturas, tudo era falso.

Depois, Deputada Lucinha, forjaram recibos de alguns parlamentares como tivessem recebido esse dinheiro. E quem descobriu isso? A Polícia Federal. Fez escutas estarrecedoras entre esses dois deputados, assessores e o estelionatário sempre com um carimbo de alguém importante de Brasília, montando isso para dar um desvio de atenção em relação a eles e para apresentar esses recibos a um Ministro do Supremo Tribunal Federal que é o relator no caso Mensalão, que será julgado no primeiro semestre do próximo ano.

Como posso eu imaginar que um partido que desfraldava as bandeiras da ética e da moralidade; que era contra tudo e todos; para quem o mundo era corrupto e somente os que tinham a insígnia do Partido dos Trabalhadores tinham sido ungidos no Rio Jordão. Hoje, muitos desses partidos estão envolvidos em corrupção; em formação de quadrilha; em forjar listas malditas contra seus adversários e em forjar recibos contra seus adversários. São antidemocratas e não conseguem entender que num país democrata, precisa-se de oposição. A oposição faz parte da regra do jogo. Mas eles querem banir a todos; querem implantar, seguramente, o totalitarismo neste País.

Então, quem lê a revista Veja tem o sentimento de nojo. Não pela revista em si, mas por imaginar que um partido político tenha tantos alcoviteiros; tenha praticado tantos atos vis, tantos crimes cometidos de uma vez só.

Não vejo essa matéria da Veja ser repercutida no Parlamento. Sinto-me, então, obrigado em repercuti-la, pois volta e meia vem aqui algum parlamentar petista – ainda com seu ranço crítico da sociedade – falar assim: “No Governo Fernando Henrique Cardoso privatizaram alguma coisa”. Qual o ente privado que o Governo Lula estatizou? Pergunto a V.Exa.: em nosso Estado as concessões das rodovias federais são um descalabro; feito por Lula.

A BR-101 – daqui até Campos – não teve qualquer melhoria, a não ser para os bolsos do concessionário, isto é, as cabines onde se cobra o pedágio. O resto é a mesma rodovia BR-101, esburacada, mal sinalizada, com um índice sempre crescente de acidentes. Então, é necessário que esse partido político venha a público, não para criticar, mas para pedir perdão ao povo brasileiro. Para dizer: “Perdoai-me povo brasileiro o ponto a que chegamos”.

É esse o triste destino que está cumprindo o Partido dos Trabalhadores; ligado à corrupção, à mesquinhez e a tudo de pior que existe na política. Quando falo do Partido dos Trabalhadores, falo da sua banda podre e não de todos os militantes, pois lá também há militantes corretos, justos e honestos. Mas a sua banda podre afunda cada vez mais esse partido, que um dia imaginou que seria vanguarda na política brasileira e hoje está, realmente, subvertido; entrou em decadência profunda; a pior de todas as decadências: a ética e a moral.”