Luiz Paulo se diz abismado com as saídas ministeriais

O deputado Luiz Paulo discursou no Expediente final, ontem no Plenário sobre as sucessivas saídas e /ou exonerações dos Ministros no primeiro ano do Governo Dilma.

“Eu confesso a V. Exa. que eu estou abismado. Porque vamos completar, no dia 31 de dezembro, um ano do Governo Dilma. Neste período, seis ministros foram exonerados – ou pediram para sair, um pedido forçado, por suspeição, segundo a Presidenta da República, por malfeitos, que em linguagem popular diz-se que é suspeição por corrupção. Mas na gentileza da Presidenta, por malfeitos. E um, o sétimo, saiu porque falou demais, que foi o Ministro Jobim.

Desde o início desta semana já tem um oitavo ministro com seus atos revelados à opinião pública, atos que ele exercitou entre deixar de ser prefeito de Belo Horizonte e assumir o Ministério. Consultorias polpudas que esse Ministro Pimentel deu para empresas prestadoras de serviço à Prefeitura de Belo Horizonte. Então, já se anuncia na linha do horizonte o oitavo Ministro.

O que é um número absolutamente impensável sobre a corrupção que está entranhada no Poder Executivo do Governo petista instalado neste país. E o curioso é que esses Ministros que estão desabando, por malfeitos, são justamente aqueles que não são do PT. Parece até que o próprio PT está dinamitando os seus aliados. Talvez com o olho gordo e grande em cima desses Ministérios que vão ficar vagos. Mas é inacreditável que isso esteja acontecendo, (…), em apenas um ano.

Não é necessário que a Presidenta faça reforma ministerial porque os malfeitos dos Ministros já estão promovendo essa reforma ministerial: é cabeça atrás de cabeça que rola. Mas não é porque a Presidenta descubra esses malfeitos, é porque a mídia revela esses malfeitos, quiçá muitas vezes essas próprias denúncias não venham surgindo das entranhas do próprio Partido dos Trabalhadores.

Veja o que é na prática o tal fogo amigo, Deputado Paulo Ramos. Imagine se não fossem aliados. Imagine se fossem adversários, o que não estaria ocorrendo.

Jamais antes, na História do Brasil, eu vi um partido político, como o Partido dos Trabalhadores, se desmoralizar tão cedo perante a opinião pública.

Esta Casa ainda tem ecos dos discursos inflamados dos parlamentares do PT que acusavam todos de corruptos, sem exceção, desde que não fossem do PT. Hoje, não tem um caso de corrupção no Governo Federal que não tenha o carimbo do Partido dos Trabalhadores; porque mesmo que o Ministro que cai de um partido aliado foi nomeado sob a responsabilidade do Presidente da República ou da Presidenta da República, do Partido dos Trabalhadores.

É inacreditável o volume de casos de corrupção. E o responsável, o culpado sempre é a mídia, não o Ministro que fez o malfeito.

Sr. Presidente, malfeito é o oposto de bem-feito, e não é sinônimo de corrupção. O que está havendo não é malfeito, não; é corrupção, e corrupção forte, violenta, festival de benesses com o erário.

Por isso, Sr. Presidente, é necessário que esta Casa também não perca o foco do que está acontecendo no país, porque muitas vezes nos envolvemos de corpo e alma nas questões locais – que são também muito importantes – e esquecemos das questões nacionais.

Mas essa marca vai para o livro do Guinness, (…) em um ano sete Ministros foram derrubados: seis por suspeição de corrupção e um porque falou demais. E volto a afirmar, já tem o oitavo aparecendo na linha do horizonte, que é o Ministro Pimentel, das consultorias suspeitas.”

Confira o vídeo com o discurso do deputado Luiz Paulo, veiculado pela TV Alerj: