‘Quem superfatura remédio e pão não tem perdão’

Em várias oportunidades analisamos a segurança pública, a saúde e a educação em nosso Estado, mas desta vez é necessário registrar o escândalo do pão, que sucedeu ao escândalo dos remédios, sempre vinculados a rotina de superfaturamento nas compras. Não é plausível que, em menos de 15 dias, a sociedade não se rebele contra uma gestão que superfatura remédio e pão – e pão do presidiá rio; e pão que, seguramente, se for investigado, pode também estar dentro da merenda escolar. Quem superfatura remédio e pão não merece perdão.

É necessário que reafirmemos os princípios da transparência, da ética, da moralidade, da probidade, para que se vá fundo nas investigações, julgamento e punição daqueles que são responsáveis pelo superfaturamento dos medicamentos e do pão.

O superfaturamento de medicamentos e de pão não se deu no Haiti: deu-se no Estado do Rio de Janeiro. Não verifico que o Governador do Estado venha a público para dar as explicações. Parece que a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Administração são do governo do Haiti, não do Estado do Rio de Janeiro. No Estado do Rio de Janeiro, parece estar tudo às mil maravilhas e a realidade é oposta.

A principal função do parlamentar é fiscalizar o Poder Executivo. Acredito que essa é a missão melhor e mais nobre que tem o Parlamento, pois cada um real que é desviado, cada um real que é levado para os ralos pela corrupção, faz muita falta para a população fluminense. O que nós estamos vendo é o fio da meada, de coisa muito mais grossa que pode vir à tona e em muitas áreas: na saúde, na Secretaria de Administração Penitenciária. E se continuar firme, e nós vamos continuar, seguramente, ao longo desse ano de 2010, muitos outros escândalos aparecerão.