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Serviço público de transportes deve ser qualificado

Serviço público de transportes deve ser qualificado

30/07/2015

BRTs, Metrô, trens, táxis, aplicativos, vans, barcas – tudo integrado – uma cidade em rede

O Centro de Operação dos BRTs, controlado por consórcio surgido para administrar as quatro empresas que venceram a licitação dos BRTs, fazem, efetivamente, o controle de fluxo dos ônibus articulados e biarticulados, em tempo real, com informações importantes sobre a operação dos veículos, como horários, número de ônibus, paradas nas estações, etc. Também controlam os veículos alimentadores dos BRTs – atualmente, são dois em operação – Transoeste e Transcarioca. Prevê-se, para o futuro próximo, mais três: Transolímpico, Transbrasil e a ligação entre o Terminal Alvorada e a futura estação do Metrô do Jardim Oceânico. Uma das coisas importantes para os usuários é que o tempo de viagem é garantido. Esse ganho não é pequeno.

Fora isso, há uma articulação com a Secretaria de Segurança, com câmeras garantindo informações preciosas para a apuração de qualquer delito.

É pena que essa iniciativa, bem qualificada, afinal, tenha atrás de si um erro conceitual: o grande transporte de massa deve ser sobre trilhos. O BRT é solução para determinados fluxos, e não para qualquer demanda, por não haver opções, com conforto e segurança, para transportar todos aqueles que tenham o Rio como destino, seja por que motivo for. A demanda reprimida lota a oferta qualificada, desqualificando, muitas vezes, a prestação de serviço.

Não podemos esquecer das Barcas. Quer coisa melhor que atravessar a Baía de Guanabara, olhar o mar e chegar rápido? Para turista nenhum rejeitar, quanto mais os trabalhadores, estudantes, usuários de sistemas de saúde. Mas o que temos é uma operação que coloca ainda em risco as pessoas, além de não cumprir os requisitos básicos de conforto.

A convivência entre os diversos modais, cada um cumprindo sua função primordial de atender ao usuário com eficiência, conforto e segurança, seria a solução melhor. Para isso, o Metrô não poderia ser um linhão que atravessa a cidade como se não houvesse amanhã, contrariando a lógica de rede que serve de base em qualquer lugar do mundo. A criatividade brasileira, aplicada nestas circunstâncias, morre na praia. E transforma em caos a vida das pessoas, tirando a esperança de poder se deslocar com alguma rapidez, garantindo uma melhor qualidade de vida. O exemplo real de descaso é a não conclusão da Linha 2 do Metrô, no trecho Estácio-Carioca-Praça XV, que seria ordenadora do sistema.

Mas não só aí está o erro. E os trens? Há uma malha extensa que, se operada dentro dos mesmos princípios de qualidade, pode transportar com rapidez milhares de pessoas. Nesse caso, como do Metrô, a integração com outros modais é fundamental.

Só para não esquecer um fato recente – a manifestação dos taxistas contra o UBER – de novo se erra no que é essencial: o usuário e suas necessidades. Afinal, trata-se de um serviço público. Além, é claro, do atraso que representa simplesmente se negar o direito de escolha e o avanço tecnológico. Não se pode ter um transporte de táxis integrado na economia formal (permissionário regulado e fiscalizado com deveres, inclusive pecuniários) e outro, o UBER, sem regulação e fiscalização, pois gera uma concorrência predatória. Mais uma vez a arrogância do poder prefere proibir e reprimir, em vez de regular e fiscalizar.

Os taxistas também sofrem com a fiscalização precária, a falta de treinamento, a ausência de pontos de parada, os congestionamentos e a precariedade tecnológica, para que prestem um serviço mais qualificado. A demanda cativa  do usuário do táxi não se dará pela repressão a terceiros, mas sim por dotá-los de tecnologia  similar de comunicação, pela inovação, fazendo a fixação do usuário não pela repressão à inovação. Quantos não trabalham mais de 10 h ao volante para pagar diárias escorchantes aos reais proprietários? Como prestar um serviço com qualidade quando o cansaço e a irritação com os frequentes engarrafamentos enlouquecem as suas vidas?

A lista de coisas a fazer é grande. Não foi à toa que as manifestações de 2013 foram iniciadas pela insatisfação com a qualidade do transporte. Mas parece que os governantes demoram muito a ouvir o que o cidadão tem a dizer. Ou ouvem, mas não se interessam em apresentar as soluções melhores para todos: mais confortáveis, baratas e rápidas.

Deputado Luiz Paulo

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