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Luiz Paulo fala sobre suas ações no PSDB

O deputado Luiz Paulo se pronunciou hoje, no Plenário, acerca das várias notas que surgem na imprensa a respeito das possíveis alianças do PSDB para as eleições que ocorrerão em outubro próximo. Para ele, essa fala é uma prestação de contas da estratégia do partido no Estado e afirma que a prioridade é fazer alianças com as poucas oposições que existem no Rio de Janeiro. Veja abaixo a íntegra do discurso.

” Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como sabem V. Exas., tenho nesta Casa a representação do meu partido para ser líder da nossa combativa bancada – hoje de apenas três Deputados Estaduais, o que dá praticamente quase 5% do Parlamento fluminense – e acumulo a Presidência do partido. Como os jornais estão sempre a difundir notas para lá, notas para cá, botando na minha boca afirmações que não tenho feito, achei que deveria fazer aos meus companheiros dos diversos partidos uma prestação de contas da estratégia do PSDB do Rio de Janeiro, tendo em vista as eleições municipais deste ano.

Nós traçamos uma estratégia: o Estado do Rio de Janeiro tem 92 Municípios. Nós somos, no Estado do Rio de Janeiro, juntamente com o PR, o DEM, que não tem representação na Casa, e o PSOL, os quatro partidos de oposição. Isso não quer dizer que não haja outros parlamentares divergentes de seus partidos que não façam oposição – cito o Deputado Paulo Ramos e o Deputado Flávio Bolsonaro, entre outros, mas, oficialmente, esses partidos são da base do Governo. Esse é o primeiro mapeamento.

Se somos oposição, a nossa prioridade não pode ser fazer alianças com os partidos hegemônicos do Governo. Os partidos hegemônicos do Governo chamam-se PMDB e PT. Esta é a primeira lógica.

A segunda é que é muito mais difícil, Deputado Alessandro Calazans, eleger um Prefeito do que eleger um Vereador. Então, qual é a segunda lógica que nós definimos, no ano passado, junto com uma reunião da executiva, quando assumi a Presidência do partido? Tentar ter uma malha de Vereadores que dê uma rede sólida de posições partidárias, de Vereadores comprometidos com o programa social democrata.

Temos a ambição de ter uma rede de 100 Vereadores porque estamos organizados nos 92 Municípios. É um sonho. Pode ser que não consigamos, mas temos esse sonho. A partir daí, temos o desejo de lançar 30 candidaturas próprias. Não vou fazer demagogia e dizer que vamos ter candidatura própria nos 92 Municípios, o que seguramente nenhum partido político conseguirá, mas 30% é um número possível. Estamos com nomes para isso. Se esses nomes vão resistir até a convenção, são outros 550. A partir daí, começamos a discutir alianças, quer sejam majoritárias ou proporcionais.

Ainda há 28 Municípios indefinidos, isto é, o partido está analisando a situação para definir qual é o seu posicionamento. Repetindo: 30 candidaturas próprias, 28 indefinições. Aí vem a segunda estratégia de que eu falei no início: a prioridade seriam os partidos que estão na oposição. O PPS seria um deles também, mas se dividiu por uma questão conjuntural. O próprio PPS, pela informação que tenho, vai apoiar o candidato do PMDB na Capital.

Estamos já com alianças definidas em dez Municípios com o PR; estamos com nove alianças definidas com o PP e com seis alianças definidas com o PMBD. Em alguns poucos Municípios é impossível não ter essa aliança, mas, vejam, são seis em 92. Temos duas com o PSB, duas com o DEM, outras duas com o PDT, outras duas com o PSC, uma com o PRTB e 28 indefinições. Esse é o dado de realidade. Não estamos segregando partido político algum, mas temos uma prioridade.

Os senhores hão de notar que não está aqui o PT, é verdade. Por quê? Porque não existe aliança com o PT. O PT só quer aliança com quem se subordinar a ele, mas aliança é jogo de mão dupla. Nunca vi o PT procurar ninguém para conversar e dizer: seu candidato é tão bom que eu quero apoiá-lo. Não há isso. Essa é exatamente a condição.

Não temos aliança, por exemplo, com o PSOL, porque ele não tem uma política aliancista. Aqui e acolá ele pode fazer alguma aliança, mas essa não é a prioridade dele. É isso que tem que ser entendido. Eu conversava outro dia com a Deputada Janira Rocha sobre isso. Imaginem se tudo dependesse dos meus sonhos, dos meus desejos. Eu tenho contradição com todos os partidos políticos, até com o meu próprio! Seria uma oposição radical, mas eu não posso me permitir isso porque tenho responsabilidade.

Quem preside um partido político tem o intuito de fazê-lo crescer para governar a favor do povo. Se se isola, não vai a lugar algum. Então, estou mostrando claramente a nossa estratégia porque tudo isso tem que se dar de forma transparente, e não como sai na noticiazinha: “O Luiz Paulo fez uma aliança com o Garotinho, o Luiz Paulo fez uma aliança com o César Maia.” Estivessem o Garotinho ou o César Maia na situação, não seriam minhas alianças prioritárias. Minhas alianças prioritárias são os partidos políticos que estão na oposição.

Vejam como votamos aqui. Nas votações, quem é que vota coerentemente contra as posições, quando erradas, do Governo? Somos nós, o PSOL, o PR e os avulsos insatisfeitos com a direção dos seus partidos, como Paulo Ramos, como o Flávio Bolsonaro e outros. Então, não é uma posição momentânea, é uma posição construída, em relação ao atual Governo, há cinco anos. Isto tem que ficar claro para a gente entender um pouco o processo político.

Não falei no PSD porque o PSD nasceu ontem e, seguramente, terá um e outro candidato a prefeito, como, por exemplo, o Dica, em Caxias, que saiu de um partido e foi para o PSD. O PSD ainda vai passar pelo seu primeiro teste, que é o teste das urnas, daqui a quase três anos, aí a gente vai saber a dimensão do PSD.

Tive a preocupação de abordar esse tema hoje porque quando o jornal bota uma nota ele depois é “tuitado”, sem dizer a história como deva ser dita. E queremos, exatamente, ter uma malha de bons vereadores, ter alguns prefeitos comprometidos com a legenda, para não ter o dissabor, Deputada Janira, de eu ter ouvido o que ouvi na última eleição de governador, quando o Sr. Sérgio Cabral veio a público dizer que “noventa e um prefeitos me apoiam, só não me apoia a Prefeita de Campos”.

Ora, é o fim dos partidos políticos você ter prefeito que, por uma questão de repasse de recursos, seja de que partido for, se alinhe com o governador que estiver de plantão.

Então, essa é estratégia, esse é o posicionamento que eu queria passar para os companheiros dos diversos partidos. Quem quiser ter o trabalho e quiser saber em cada município como é que a gente está aliado, também a gente abre, porque nada está escondido, afinal tudo isso será registrado no TRE em tempo hábil.

Muito obrigado, Sr. Presidente.”