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Luiz Paulo comenta reportagem da Veja e situação do PT

O deputado Luiz Paulo, em seu discurso inicial na ALERJ, hoje, discutiu a reportagem da Veja que revela uma advogada de uma máfia de corruptos se infiltrou no Governo em Brasília e a (falta de ) ética do Governo PT. Veja abaixo a íntegra do discurso.

 

” Sra. Presidente em exercício, Deputada Lucinha, Sr. Deputado Nilton Salomão, Deputado Gilberto Palmares, no dia de ontem, Deputado Nilton Salomão, recebi a revista Veja das mãos da Deputada Lucinha, sobre uma matéria que eu não tinha lido, capa da revista Veja, intitulada “A sedutora e o poder”, e como subtítulo, “As explosivas revelações da advogada que uma máfia de corruptos infiltrou no Governo em Brasília.”

Li agora a matéria, com cuidado, dados os devidos descontos que merece qualquer matéria jornalística, porque muitas vezes uma pena fantasiosa transcende a verdade dos fatos, mas eu diria que, para se escrever essa matéria, enquanto fantasia, faria dos autores da matéria, que é assinada por Srs. Rodrigo Rangel e Hugo Marques, escritores de renome internacional na prática dos romances de espionagem, traição, sexo e corrupção. Mas como não conheço os autores na leitura de ficção nem tampouco nos romances dessa área, tenho que dar algum grau de credibilidade, até porque, Deputada Lucinha, as manchetes dos jornais desta semana mostram que o Sr. Marcos Valério foi condenado pela Justiça Federal, em Minas Gerais, por diversos crimes ligados a dinheiro público. Esse Sr. Marcos Valério é o mesmo que está no centro do escândalo do mensalão petista, ligada à CPI dos Correios, que fará com que no mês de maio próximo o Supremo Tribunal Federal julgue todos aqueles que estão lá arrolados entre eles o próprio Marcos Valério, José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, entre tantos outros de significado política menor.

Ora, ao ler essa matéria jornalística e ao ler a revista Veja, que na página 57 desenvolve a matéria com o subtítulo de “Poder, sexo e corrupção”, volto a dizer: a história é bem conectada. Por quê?

Todos sabem que no escândalo do Governo Arruda, no Distrito Federal, a figura central que propiciou tantas e tantas delações foi o Sr. Durval Barbosa, que faria parte de uma quadrilha que teria desviado mais de um bilhão de reais dos cofres públicos.

A história começa com o Sr. Durval Barbosa, que era ex-Secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, no Governo Lula, via poderoso Secretário Geral da Presidência Gilberto Carvalho, e o então Advogado Geral da União, Sr. Toffoli, hoje Ministro do STF, e que plantou próximo a essas pessoas essa senhora advogada Christiane Araújo de Oliveira, que ilustra a capa da revista Veja, para que ela, segundo a história, pudesse passar para esses senhores fatos e provas contundentes a fim de desmontar o Governo Arruda e propiciar a eleição do Agnelo Queiroz.

Entretanto, não ficou só nisso. Revela a revista e publica os e-mails que a Sra. Christiane pede ao Sr. Gilberto Carvalho que, na lista tríplice do Ministério Público do Distrito Federal, o Presidente da República possa vir a escolher como promotor o Sr. Leonardo Bandarra, um procurador geral do Distrito Federal.

A revista Veja também publica a resposta do Gilberto Carvalho a essa senhora, uma resposta extremamente cortês, que só fazemos àquelas pessoas por quem temos muito afeto: “Querida Christiane, agradeço sua mensagem e me comprometo a levar essa questão ao Presidente Lula. Penso que amanhã mesmo ele vá tomar a decisão e vou te informar. Gilberto”.

E o Sr. Bandarra foi nomeado pelo Presidente Lula, como desejava a Christiane, como Procurador do Ministério Público do Distrito Federal. Esse Sr. Bandarra tem cinco processos na Justiça, fortemente envolvido com o sistema de corrupção do Sr. Durval, e a Sra. Christiane fazia a ponte entre o Durval e o PT — o Sr. Bandarra, que o Ministério Público, inclusive, quer expulsar da corporação.

O elo está mostrado na revista e estranho que essa matéria não tenha tido ainda a repercussão devida. É claro que não vou ficar lendo a matéria porque qualquer um pode lê-la na revista Veja, ainda mais quando estariam ligadas à matéria, pelo menos, duas figuras proeminentes da República.

Insinua-se que essa senhora teria se encontrado quiçá com o Sr. Gilberto e com o Toffoli num apartamento secreto, onde havia câmeras filmando tudo, onde havia pilhas de dinheiro que o Sr. Durval amealhava dos cofres públicos.

Um Ministro do Supremo Tribunal Federal não pode ser objeto de nenhuma chantagem, que é uma hipótese que está aqui levantada, ainda mais às vésperas do julgamento do mensalão do PT, com essas figuras públicas da República envolvidas.

O estranho que levanta a revista é que o Sr. Gilberto e o Sr. Toffoli seriam pessoas extremamente bem casadas, católicos praticantes, o que não explicaria esses graus de envolvimento.

Tudo isso foi investigado pela Polícia Federal e não se tem conhecimento de processos judiciais correndo na Justiça. Será que o caso foi abafado?

Então, merece reflexão a matéria. É claro que ela é um episódio de romance. De romance policial de traições, etc., mas com muitos e-mails comprovados.

Então, queria chamar atenção sobre esta questão porque, de outro lado, hoje é quinta-feira, véspera do Carnaval. O Brasil vai mergulhar, a partir do dia de amanhã no período pré-carnavalesco e carnavalesco. As agruras, os desconfortos, enfim, a vida, no seu lado negativo, vai ser esquecido, para todo mundo viver as delícias das brincadeiras de Momo ou, alguns setores se recolherem a seus retiros espirituais. E tudo que não for Carnaval, durante quase uma semana, porque o Carnaval só fecha, mesmo, domingo da semana que vem, com o desfile das campeãs, essas questões vão ficar adormecidas e talvez nem acordem, enterradas pelo período carnavalesco. E essa matéria pode não lembrar Carnaval, mas pelo menos lembra as festas de Baco. Baco é o deus romano responsável pelas grandes orgias que a Roma antiga produzia.

Isso é um aspecto importante dessa questão, porque, de outro lado, Sra. Presidente, o Partido dos Trabalhadores e, para tristeza minha, confesso a V.Exa., que tudo que é escândalo de corrupção que sai, hoje, no Brasil, tem sempre um dedo de forças poluídas do PT, e faço sempre a ressalva de que mesmo assim o PT tem bons quadros, éticos e honestos, mas tem uma banda horrorosa, e essa banda exercita o poder maior do partido. Qualquer escândalo tem o dedo do PT, já não é mais novidade para a população. E eles, durante longos anos – comemoraram agora 32 anos – sempre fizeram o discurso da ética e da transparência. Eram revolucionários, em tese defendiam o direito dos mais fracos contra a oligarquia dos mais fortes. E hoje, exatamente, produzem o inverso de tudo aquilo que pregaram, a começar pelo comportamento ético, e quem diz isso não sou eu, é a revista Veja, e quem diz isso não sou eu, é o Supremo Tribunal Federal; e quem diz isso não sou eu, são todos os jornais que, em apenas um ano do Governo Lula, Dilma, Dilma-Lula, sete Ministros tiveram que sair por suspeição de corrupção.

Então, sob o ponto de vista ética, o PT se desmoralizou, mas se desmoralizou de uma forma vergonhosa. Eu fico perplexo de ver o que seja um partido, sob o ponto de vista ético, ir tão fundo num poço enlameado. Temo que eles tenham grande dificuldade de sair dessa lama, talvez fiquem chafurdando na lama durante muitos anos Sob o ponto de vista político, discursavam nesta Assembleia – é só consultar os Anais – contra as privatizações. Hoje, a privataria petista está aí privatizando os aeroportos. Os que estiveram e estão no poder há nove anos mostram-se incapazes de gerir os aeroportos brasileiros. Então, agora vendem esses aeroportos. Privatizaram os aeroportos e quem vai pagar é o BNDS, é a ‘viúva’ que vai emprestar dinheiro aos empresários a juros subsidiados. E a forma de privatizar foi: vencer quem oferecesse o maior ágio. Mas quem vai pagar esse ágio somos nós, usuários, através das tarifas aeroportuárias que incidem até mesmo para quem quer ir a Buenos Aires. Mesmo quem vai a Buenos Aires paga tarifas aeroportuárias. E elas vão todas subir.

É o nosso dinheiro que vai sustentar essa “privataria”. E, nos 32 anos do PT, veio a explicação: “Olha, não foi privatização, foi concessão, porque no fim da concessão o bem retorna para o serviço público”. Vovó viu a uva. O PT diversas vezes aqui fez outro discurso. Podem ver nos Anais: no metrô, privatizaram a bilheteria, mas não privatizaram os investimentos. E o metrô o que era? Era uma concessão. Quer dizer, quando é dos outros é privatização, e quando é deles é concessão?

Essa é uma forma jurídica de ver a questão. São privatistas indecorosos. Estão rasgando os fundamentos do partido. Não é que estejam revendo. Não estão revendo nada. Estão rasgando os princípios, sofismando.

No Estado do Rio de Janeiro privatizaram as BRs. Principalmente quanto à BR-101, privatizaram o pedágio, mas não se vê o retorno na sua duplicação. Na BR-101 só tiveram dinheiro para construir a praça de pedágio. É assim. Eles discursam em um sentido e agem no sentido oposto. Ora, para o ralo a ética e as propostas políticas!

Finalmente, resta lembrar a greve da Bahia comandada pelo líder sindical Prisco. Vou citar, também não sou eu que estou dizendo, está escrito no jornal Valor Econômico da semana passada as palavras, naa boca do Prisco: “Como o Governador Jaques Wagner quer nos reprimir, se na última greve da PM na Bahia, quando era governador do DEM, quem sustentou a greve dos militares foi o Jaques Wagner e o ex-presidente da Petrobrás, que saiu anteontem, o Gabrielli? Como agora ele quer nos reprimir? É uma desmoralização total!”

Associado a isso, Deputada Lucinha, leio no jornal que querem discutir o PEC 300, se votam ou não no segundo turno. Acho que devem votar. E acho também que depois deve ter uma lei complementar criando esse fundo em que a União entra com a ‘parte do leão’, porque narcotráfico e tráfico de armas é obrigação da União. Portanto, a União tem que comparecer.

Leio ainda que o Governador Jaques Wagner teria sugerido que se diminuísse o teto salarial do magistério, mas hoje vem dizendo que não disse isso; que não foi bem assim.

Estamos vivendo uma mixórdia política, hoje comandada pelo PT. Ninguém fala porque eles ‘mexicanizaram’ a política; é todo mundo do mesmo lado. É muito parecido com o Estado do Rio de Janeiro, tirando alguns parlamentares do PT; do PSOL e o Sr. Deputado Paulo Ramos. Eu diria até que tirando eu e a senhora, isso tudo não soma doze. O resto é tudo base do Governo. Então, o tom crítico não acontece. Por isso é que temos que estar aqui todos os dias honrando os nossos mandatos às 14h30, às 16h30 e às 18h30, para fazermos uso desse direito que temos como parlamentar, o de analisar os fatos e fazer a leitura crítica da ‘mexicanização’ da política brasileira e da política do Estado do Rio de Janeiro, já que estão todos do mesmo lado. Eu faço questão, como disse ontem, de estar do lado oposto.

O meu candidato a Governador foi o Fernando Gabeira. Foi derrotado nas eleições. Foi o seu também, Sra. Deputada. Mas o povo nos elegeu e se assim o fez foi para sermos oposição, porque se quisessem que fôssemos Governo teriam votado no Fernando Gabeira e não no Sérgio Cabral.

Vamos honrar o nosso mandato com essa visão crítica, como fizemos nos quatro anos da Governadora Rosinha; nos quatro primeiros anos do Governador Sérgio Cabral e ao longo desse primeiro ano, também do Governador Sérgio Cabral, que já está no poder há cinco anos. O PT está no poder há nove anos. Mas não há fruta que fique madura e desejada o tempo todo. Há um determinado momento que ela perde o viço, apodrece e cai.”