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Deputado aconselha Prefeito do Rio a ser mais prefeito e menos síndico

O deputado Luiz Paulo em seu discurso inicial, comentou a situação dos transportes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e seus sérios desdobramentos para o Rio de Janeiro, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e sede das Olimpíadas de 2016. Acha muito importante o prefeito ser gestor da cidade, defender os interesses da metrópole e não agir com subserviência para com o Governador, se as decisoes deste não são favoráveis ao municipio. Veja abaixo a íntegra do discurso

“Sr. Presidente em exercício, Deputado José Luiz Nanci, senhoras e senhores parlamentares, a primeira questão que trago novamente à tona, porque muito rapidamente falei ontem, é sobre a queda do Ricardo Teixeira da presidência da CBF, após mais de duas décadas de poder. Há tempos estamos lendo matéria jornalística sobre o fato de que a FIFA o investigava porque havia indícios de desvio de conduta. Ele foi afastado. Assume agora a presidência o vice-presidente, Sr. Marins, oriundo do Estado de São Paulo.

Isso tudo às vésperas da Copa do Mundo. E o órgão que apurava a CBF, a Fifa, também é uma instituição pouco recomendável, porque a última eleição da Fifa foi sob desconfiança dos dois participantes, até que um foi afastado da disputa, e o denunciante, quanto à possibilidade de compra de votos, foi à Inglaterra. Então a própria Fifa também está sob desconfiança.

Aí, vem um representante da Fifa ao Brasil e, ferindo a autonomia brasileira, faz acusações contra a gestão dos preparativos da Copa e diz que esses gestores só iriam para a frente com um pontapé no traseiro, o que gerou outro clima de desentendimento entre o Brasil e a Fifa.

Jamais vi preparativos para uma Copa do Mundo tão afetados por discordâncias, incompetência e corrupção. Enquanto isso, os estádios de futebol de nosso país estão seus cronogramas atrasados e muitos estão sendo construídos a preço de ouro – cite-se a reforma do Maracanã, alvo de um artifício contábil, com a redução das alíquotas de ICMS sobre material de construção e produtos importados, e a redução da alíquota de IPI sobre produtos industrializados, para que o preço se afastasse, a menor, do valor de um bilhão de reais. Concomitantemente a isso, o futebol brasileiro vai muito mal. Qualquer seleção, hoje, que jogue contra o Brasil, o resultado sempre será de um jogo dificílimo, e quando o Brasil vence, é por um apertado 1 a 0, mesmo com seleções que não têm nenhuma tradição do futebol.

É um quadro bastante complexo que faz com que o povo brasileiro coloque o ato de sediar uma Copa do Mundo sob desconfiança, porque os primeiros que estão sob desconfiança são os dirigentes, envolvidos em processos pouco recomendáveis, para sermos gentis!

E, aí, você vem para a nossa Cidade do Rio de Janeiro. A cada dia que eu marco audiência com alguém, Deputado José Luiz Nanci, e essa pessoa vem da Barra da Tijuca, ou da Baixada Fluminense ou de São Gonçalo, jamais cumpre o horário, principalmente se for às 10 horas da manhã. E chega sempre dizendo: “O sistema viário metropolitano está insuportável. As barcas estão à beira de um colapso.” Os que vêm de trem afirmam, e eu concordo, que a Supervia e os trens metropolitanos e da Zona Oeste estão a ponto de serem submetidos a alguma catástrofe. O bondinho de Santa Teresa já deixou de circular há muito. Se o cidadão vem da Pavuna ou da Tijuca, a reclamação é a mesma: “Um calor insuportável, cheguei aqui como sardinha em lata, com oito pessoas por metro quadrado”..

Sr. Presidente, essa é a reclamação cotidiana. E quem vem de carro, de qualquer local que seja – Nova Iguaçu, Barra da Tijuca, Recreio dos bandeirantes, São Conrado, São Gonçalo – jamais o tempo de viagem para o Centro da Cidade é menor que duas horas! Esse é o cartão de visita da Cidade do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana.

E imagino um prefeito que diz que vai sediar a Copa do Mundo – diz que vai sediar a Copa do Mundo, mas quem vai sediar a Copa é o Brasil, porque nós vamos ter a Copa do Mundo no Brasil; o Estado do Rio de Janeiro será um daqueles Estados que abrigará jogos, junto com outros Estados coirmãos – mas que abrigará a Olimpíada, o grande projeto de transporte para esse prefeito é vir a público e dizer que, esteticamente, o projeto do elevado da Perimetral é horroroso e que seu projeto é derrubar o elevado.

Nas duas audiências públicas da Linha 4 do Metrô, onde 27 associações de moradores não concordam com o atual traçado, que é diferente do traçado licitado – o licitado era Barra da Tijuca, São Conrado, Gávea, Jardim Botânico, Humaitá e Botafogo, admitindo-se uma variante para Laranjeiras e Largo do Machado – e o traçado que se quer fazer é por Leblon e Ipanema, 27 associações de moradores não concordam.

O Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro diz que Ipanema e Leblon, em liguagem popular, não devem mais crescer, porque já estão nos seus limites máximos, mas insistem que essa região tem que crescer.

Na audiência pública não vai sequer um representante da Cidade do Rio de Janeiro, da municipalidade. Já que o Prefeito não vai, fosse lá o seu Secretário de Transportes, mas não vai ninguém. Parece que a Linha 4 do Metrô será feita na China ou no Japão e não na Cidade do Rio de Janeiro. O Prefeito parece que não tem nada com isso.

Santa Tereza é um dos bairros mais populares da Cidade do Rio de Janeiro. Aconteceu aquela tragédia em Santa Tereza e parece que também não foi na Cidade do Rio de Janeiro, foi em Marte ou Vênus.

Sr. Presidente, cadê a preocupação do Prefeito com o sistema de transporte metropolitano. Não há como os BRTs e BRSs, com esses títulos pomposos, que deveria ser faixa preferencial, faixa exclusiva ou qualquer outro nome, mas que fosse em português, funcionarem bem se o Metrô funcionar mal, se o trem funcionar mal e se as barcas funcionarem mal.

Por isso é sistema de transporte, não é o único meio de transporte. Vou concluir, Sr. Presidente, na medida em que V.Exa. pegou o microfone, vai dizer que o meu tempo já acabou e eu concordo.

Quero deixar aqui essa reflexão para o Prefeito: ele tem que ser gestor da cidade, mas tem que ser também o principal agente político da cidade e tem que vir a público discordar das políticas públicas de transportes do Governo do Estado, que são profundamente ineficientes e ineficazes, porque senão você não é o representante máximo de uma cidade.

A função de um Prefeito é muito maior do que a função de um síndico, porque tentam dizer que prefeito é igual a síndico. Também, mas é muito mais. É aquele que defende os interesses da cidade como um todo, e até mesmo os interesses políticos, os interesses de visibilidade da cidade.

O Prefeito não pode jamais ser dominado pelo Governador. Ser parceiro não quer dizer ser submisso; é algo totalmente diferente parceria com submissão.

Na política de transportes, o que vemos é uma total e absoluta submissão, que está levando cada vez mais o transporte da cidade, da Região Metropolitana ao caos.

Muito obrigado, Sr. Presidente. ”