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“Não se resolve mobilidade por impulso.” Contesta Luiz Paulo

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Quero aqui realçar uma grande contradição. Hoje, lá no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o Prefeito Eduardo Paes reuniu o Conselho da Cidade, composto por 300 membros – eu sou um deles – para lançar o processo de discussão pública sobre o plano estratégico para os próximos 50 anos, um plano de metas que pretende ser publicado em 1º de março de 2016, avançando até 2065. Nesta imensa discussão, defendíamos que um plano de metas de 50 anos tem que ser absolutamente de metas flexíveis, porque estamos olhando para um futuro bem distante, mas, ao mesmo tempo, para que os Poderes Constituídos, principalmente o próprio Prefeito, cumprissem, essas metas fossem sucessivamente, ao longo dos anos, incluídas no plano plurianual, na lei de diretrizes orçamentárias e nas leis de orçamento anual.

Ora, de um lado, quer se pensar a cidade 50 anos para frente. De outro lado, ao abrir o Jornal O Globo de sábado, vejo a Prefeitura lançar uma ideia que jamais foi discutida com qualquer cidadão, não fez parte do plano diretor de transporte urbano contratado pelo Governo do Estado, que é do mesmo partido político, mas se lança a ideia de fazer um VLT de 26 quilômetros, saindo aqui do centro da cidade, indo por Flamengo e Botafogo, praia, entrando e fazendo o binário São Clemente e Voluntários, Rua do Humaitá, Jardim Botânico, até a Gávea.

Para quem conhece a cidade e já viveu um pouco mais, houve outro candidato que quis fazer algo similar, foi o ex-Prefeito Conde, que lançou um trem voador. Não era um VLT, era um trem voador, um trem magnético, em cima de estrutura, que faria o mesmo percurso. Não saiu de um mero risco no papel e de uma animação feita na televisão. O mesmo acontecerá com esse VLT, porque só tem dois tipos de VLT. Ou ele é de acesso restrito, e aí é impossível. Como é que as pessoas vão circular nesse perímetro urbano? É impossível. Ou ele será um VLT de maior capacidade, com flexibilidade, e os próprios logradouros da Zona Sul não têm caixa suficien te para recebê-los, ainda mais porque têm também os ônibus por ali passando.

Ora, essa é uma ideia que não teve nenhuma discussão em nenhum plano estratégico da Prefeitura, em um dos três planos estratégicos. Isso jamais foi pensado de forma séria. Por mais que seja uma ideia, não é conveniente lançar ideias que não serão executadas, porque uma brincadeira dessas custa mais de um bilhão de reais, e o projeto por que todos nós lutamos é construir a Linha 4. Essa é a solução definitiva. Estou falando aqui no mesmo trajeto. E a Linha 4 é uma linha de Metrô. Esta, sim, é a solução para todo esse corredor, Linha 4, inclusive, que já deveria ter sido implantada, se não tivessem deslocado o eixo da mes ma, e aí a responsabilidade é do Governo do Estado, gastando nove bilhões de reais, por Ipanema e Leblon.

Não se resolve mobilidade por impulso, e o que estamos vendo são projetos concebidos na cabeça de um ou dois e impostos goela abaixo da população. Assim foi com essa Linha 1-A, esse linhão que está em fase final de construção, previsto para ser concluído até agosto de 2016, data de realização das Olimpíadas.

É necessário que haja cada vez mais decisões compartilhadas, decisões mais democráticas, decisões que de fato contemplem o interesse público, para que possamos avançar. Que não sejam meras ações midiáticas, porque ações midiáticas também levam ao descrédito dos poderes constituídos. Entendemos que o VLT, esse que está sendo feito aqui no Centro, tem uma função estruturante, qual seja, interligar todos os modais para fazer a transferência entre todos os modais. Para essa função um VLT de pequena capacidade cumpre o objetivo, mas não cumprirá para longas distâncias.

A mania hoje é querer transformar soluções de transporte que são pertinentes para determinadas demandas em panaceia, servindo para tudo, como hoje, inclusive, acontece com os próprios BRTs. Por isso, é necessária cada vez mais uma reflexão sobre o tema, visto que, de um lado – não existe solução para habitação porque não existe financiamento e, de outro lado, existe financiamento de todos os tipos, com todos os prazos, para comprar automóvel. Este é o grande contraditório deste País, uma política louca de incentivo fiscal para a indústria automobilística e com crédito restrito para a política habitacional.

One thought on ““Não se resolve mobilidade por impulso.” Contesta Luiz Paulo

  1. Bom dia sr deputado , venho aqui através dessa mensagem comunicar a falta de respeito a lei criada pelo deputado e pelo sr excelentíssimo juiz que decidiu que o Detran e as polícias não podem .as prender carros e levar ao pátio por falta de pagamento . Aqui na estrada pinheiral volta redonda , bairros de volta redonda e barra mansa continuam tomando veículos e guinchando para pátios arbitrariamente . Por favor não estão cumprindo a lei façam uma revista aqui de inspeção que vão ver a falta de respeito e descumprimento da lei pelas polícias militar RJ e Detran . Existe lei pra ser cumpridas por todos obrigado conto com a ajuda do sr. Deus abençoe estamos juntos

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