Somos um Rio, literalmente

Nesta quarta-feira, quem anda pela Região Metropolitana vive o slogan Somos um Rio. Parece uma pilhéria (brincadeira) mas é verdade.

O governador do Rio e o Prefeito da Cidade têm toda razão. Somos um rio de janeiro a janeiro. Na televisão o Príncipe Regente dava satisfações, quando perguntado da Av. Binária, recém-inaugurada estar alagada.

Ele disse que claro que estava alagada, porque inauguraram a via sem as obras de drenagem estarem prontas. E alagarão até 2016. Falou como se fosse a coisa mais normal do mundo!

Como inauguram uma via expressa, derrubam outra (Perimetral) sem ao menos deixar as obras de drenagens prontas?

Realmente, somos um rio….mas e os desabrigados?

Se lembrarmos que quando houve a necessidade de se conseguir, às margens da Dutra, 600.000 m² de área, a R$180 milhões, para instalar a fábrica da Nissan, se conseguiu. Quando houve necessidade de se ter uma nova área de 600 mil metros quadrados, às margens da Dutra, em Itatiaia, para servir à Jaguar e Land Rover, a custo, seguramente, superior a R$30 milhões, se conseguiu.

Imagine, um milhão e duzentos mil metros quadrados de área disponibilizados para a Região Serrana para fazer habitação popular para contemplar os 7.500 desabrigados ou até mesmo os 60 mil moradores em área de risco! Da noite para o dia apareceram mais de R$200 milhões, mas para dar habitação popular para o povo que está em área de risco, o dinheiro não aparece, a vontade política não vem à tona e a capacidade de realização fica embotada.

É surpresa a ocorrência de chuvas torrenciais no verão? Não. Desde que o Rio é Rio isso acontece – quando falo Rio, estou me referindo ao Estado do Rio de Janeiro e não à Cidade do Rio de Janeiro -, mas, se medidas preliminares fossem de fato tomadas a favor da população, essas situações de tragédia ou de danos poderiam ser menores.

O que a Copa do Mundo e as Olimpíadas estão trazendo em benefício do povo, em termos de mobilidade, em termos de infraestrutura, de saneamento e, principalmente, de habitação? Muito pouco. Das 7.500 habitações que o Governo do Estado se comprometeu a fazer na Região Serrana para atender à calamidade que lá ocorreu em janeiro de 2011, seguramente não há 600 habitações entregues – e isso ocorreu em janeiro de 2011.

Em contrapartida, entregaram o Maracanã pronto, custando a bagatela de R$ 1,3 bilhão. Somos um rio…