Jacarepaguá, um bairro de transtornos

Tenho estado por diversas vezes em Jacarepaguá – na audiência pública que foi realizada no Largo da Preguiça, depois, na Colônia Juliano Moreira, e, finalmente, sábado passado, na Taquara, na tradicional padaria onde S. Exa. sempre toma um cafezinho, Campo de Areia.

Voltei de lá impactado negativamente. Jacarepaguá está sendo cortado por duas grandes trans: a Transcarioca e a Transolímpica. Tornou-se corredor de passagem de duas grandes trans, segmentando, principalmente a Transcarioca, a região mais urbana de Jacarepaguá. Na Transcarioca, quando for inaugurada, passados quatro ou cinco meses, o sistema já estará explodido em termos de capacidade, porque aquele eixo não pediria mais um BRT, e sim um metrô.

Pode-se fazer pesquisa de qualquer indicador de crescimento habitacional ou de qualquer indicador de crescimento da construção civil, Jacarepaguá está muitas vezes acima da média do território carioca. Não há região neste Município que mais cresça do que Jacarepaguá.

Imaginemos Jacarepaguá cortado por duas grandes trans, vamos dizer que de forma quase perpendicular, segmentando o bairro em quatro regiões. Essas trans são vias bloqueadas pela passagem do BRT – há a Transolímpica e também haverá o BRT. Ninguém sabe de forma correta como os ônibus que estarão nos BRTs serão alimentados, nem sabemos como serão alimentados os outros ônibus de menor porte, porque o BRT é biarticulado, nem tampouco como serão alimentados pelo transporte complementar.

Jamais a comunidade de Jacarepaguá teve acesso a qualquer planejamento sistêmico da região. Se ele existe, está na cabeça ou do Prefeito ou do Tiago – parece que é este o nome do coordenador de Jacarepaguá –, porque no papel ninguém conhece. As ações são do tipo “vamos fazer, depois a gente ajeita”. Primeiro, na Transolímpica, fizeram um traçado que tirava de área ribeirinha mais de cinco mil casas. Botaram o bode na sala e, depois, eleitoralmente, mudaram o traçado, isto é tiraram o bode da sala.

Faz-se a retirada de Kombis e vans do sistema do transporte complementar sem saber qual é o planejamento que vai ter, naquela ótica de que depois se arruma. Os licenciamentos não param de ser dados, então, Jacarepaguá está caminhando para uma posição, sob o ponto de vista do sistema de transportes, muito difícil, e há regiões periféricas que nem ônibus têm.

Fico em perplexidade porque Jacarepaguá era para o Prefeito Eduardo Paes a menina dos seus olhos. Agora eu acho que ele está se esquecendo de botar colírio nas meninas dos olhos dele, porque a situação está dificílima. Ao mesmo tempo em que me entristeço, não me surpreendo, porque se fez o que fez na Perimetral sem os estudos e o planejamento devidos, esse tipo de ação está se repetindo em outros pontos da cidade, como, por exemplo, Jacarepaguá.