Luiz Paulo lamenta decisão de absolver um dos indiciados no Mensalão

O deputado Luiz Paulo ao se pronunciar na tribuna, lamentou que o Congresso nacional tenha absolvido o Deputado (presidiário) Natan Donadon da cassação de seu mandato.

“Deputado presidiário! Chegou à Câmara federal de camburão, como o primeiro Deputado no Brasil condenado pelo Supremo Tribunal Federal, salvo erro de memória, com pena de 9 a 10 anos. Entre os crimes, apropriação de recursos públicos.

E nessa votação, faltaram 108 parlamentares, 20% dos 513 deputados federais. Muitos se abstiveram e outros tantos votaram contrários. Com isso, para ele ser cassado, faltaram mais de 40 votos.

Isto é um tapa na cara da população brasileira. Inimaginável o que ocorreu. Quando as ruas gritam, clamam por ética e moralidade, um deputado presidiário é absolvido pelo Plenário.”

Para ele, essa absolvição acabou com a vergonha de qualquer um e que a sociedade tem razão em pensar que não existe separação do joio do trigo, principalmente pela votação ser secreta.

“E pasme, o Deputado Federal Henrique Alves, Presidente da Câmara, parlamentar experimentado, com mais de duas décadas de mandato, vem a público dizer “daqui para frente eu só voto cassação de mandato quando concluir a votação da Emenda Constitucional que o voto terá que ser aberto”.

(…)depois da porta arrombada aparece essa desculpa de “me engana, trouxa”. Porque, na verdade, o Presidente da Casa deveria ter segurado a pauta e colocado na pauta a finalização da votação da Emenda Constitucional; ter tornado o voto aberto para depois colocar na pauta a cassação. E ele também tem instrumento para verificar o quórum da Casa. Se faltavam 108 parlamentares, tirava de pauta, mas não colaborar para esse vexame que a Câmara Federal deu perante a opinião pública brasileira. No justo momento em que quer se discutir a agenda positiva, a Câmara dá o exemplo triste e cruel do que seja uma agenda negativa. É triste, Sr. Presidente. É triste, mas é verdade.

Por isso, eu não poderia me omitir sobre esse tema. (…) se houve um momento na minha vida em que eu tive vergonha de ser político, foi esse, na absolvição de Natan Donadon, deputado presidiário, É inacreditável, como o simples fato, Sr. Corregedor, Deputado Comte Bittencourt, de o cidadão condenado por crime no Supremo não ter quebrado de A a Z o decoro parlamentar porque decoro parlamentar, Sr. Presidente, pertence à Casa Legislativa e não ao parlamentar. E o parlamentar quebra o decoro quando ele tisna, macula, envergonha a Casa Legislativa e eu diria, infelizmente, em voto fechado que quem votou pela absolvição dele, ontem, também quebrou o decoro parlamentar porque jogou a Câmara Federal na lama e puxou o conceito dos políticos de uma maneira geral.

(…) apesar disso nos cabe resistir, nos indignarmos na esperança de que o povo brasileiro – com a sua capacidade de indignação e imobilização – consiga demonstrar, cada vez de maneira mais forte, que este não é o caminho da democracia representativa; que democracia representativa não comporta esse tipo de atitude.

Por isso, a voz das ruas está sempre a bradar: “Vocês não nos representam”. E eu diria para concluir, a mesma coisa: Esta Câmara Federal, a parte dela que votou pela absolvição do deputado presidiário Natan Donadon, não nos representa.”