Manifestações, demandas reprimidas e democracia representativa

A democracia exige, a Constituição e a Declaração Universal dos Direitos Humanos garantem que se tenha liberdade de expressão e de manifestação, sem violência, de forma ampla, geral e irrestrita.

Foto: Fábio Mota/Estadão

Para entendermos o cerne das manifestações populares é necessário se compreender que a democracia representativa está em processo de falência. Governos e Parlamentos, com honrosas exceções, não mais correspondem às expectativas da população e sequer, pelas suas condutas, possuem credibilidade para representá-las, mesmo que parcialmente.

Os protestos testificam, cada vez mais, o anseio da população pelos instrumentos da democracia direta. As manifestações de rua e seu clamor vão continuar em função de muitas demandas reprimidas: na mobilidade (tarifas altas e prestação de serviços péssimo nos ônibus, barcas, metrô e trem, congestionamentos afetando a produtividade e roubando horas dos usuários, acessibilidade, indústria da multa), na saúde com a falência da gestão do SUS, ocasionando o caos da saúde pública, a precarização dos planos de saúde, no preço dos medicamentos, na segurança com a violência cerceando a liberdade individual e o aumento indiscriminado dos estupros, na corrupção que perpassa o Serviço Público, na educação desqualificada e mal remunerada, na economia com poder de compra em queda (a inflação e os juros em alta), na carga tributária excessiva com péssima contraprestação de serviços, na construção dos estádios superfaturados, nos preços dos ingressos, no império da FIFA e sua hipocrisia institucionalizada, no déficit habitacional e na construção de habitações de péssima qualidade, nas catástrofes ambientais, penalizando moradores em área de risco, etc. Quem não entende o porquê dos protestos são os governantes e parcela do parlamento e até mesmo os que têm receio de qualquer mudança comportamental e institucional que poderia vir afetar seus interesses negociais ou momentâneos. Os protestos simbolizam um repúdio à pasmaceira institucional que fechou os olhos para a tragédia do cotidiano que afeta diretamente a vida dos cidadãos. A realização da Copa e das Olimpíadas traria, segundo os governantes, um legado para o futuro que chega sob a forma de pesadelo. As contradições estão aflorando, imagina na Copa. É o processo, a sociedade vai avançar.

Deputado Estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha -PSDB