Luiz Paulo questiona pier em y

Comentando a matéria sobre a decisão da Companhia Docas de construir na Praça Mauá o píer em formato de Y, o deputado Luiz Paulo questionou o prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, ao dizer que nada poderia fazer, se ele não está agindo não mais como o principe regente, mas como Pôncio Pilatos.

 

‘” Uma intrusão visual danosa à nossa cidade e, principalmente, dificultando a admiração das belezas dessa cidade e da própria Baía de Guanabara.

Docas não pediu licença a ninguém para fazer isso. O próprio prefeito da Cidade do Rio de Janeiro veio a público dizer que era contrário ao projeto. Três dias depois se rendeu à estrutura do poder central e resolveu não mais ser contra, muito menos a favor; assumiu a coluna do meio. Hoje nos jornais, ele volta a dizer que lava as mãos, deixa de ser, como sempre eu disse aqui, o príncipe regente da cidade, herdeiro direto de Dom João VI, isto é, o Governador do Estado, para ser Pôncio Pilatos. Passa a lavar as mãos.”

Luiz Paulo afirma que ao lavar as maos na questao do pier, entra em grande contradição.

“Porque o tempo todo sabe o príncipe regente, isto é, Pôncio Pilatos, isto é, o prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, que trocar o elevado da perimetral por um malfadado túnel e pelo binário da Avenida Rodrigues Alves, significa estar trocando seis por meia-dúzia, gastando R$1,5 bilhão e provocando, continuadamente, um dos maiores congestionamentos que a Região Metropolitana do nosso Estado há de verificar, eis que a perimetral não é uma obra da cidade; é uma obra metropolitana feita pela União, pois dá acesso à ponte Rio/Niterói, à Linha Vermelha e à Avenida Brasil. Quando o alcaide é levado a se posicionar porque estar trocando seis por meia-dúzia e gastando R$1,5 bilhão, afirma ele que a beleza é fundamental, que há uma questão estética, que o elevado é uma intrusão visual na nossa cidade. Apesar de quem desejar ver poder ir a Tóquio, onde as vias elevadas praticamente tangenciam os edifícios. Vá a badalada Barcelona e vai verificar o conjunto de elevados no perímetro urbano. Até nas entradas da monumental Paris você convive com um conjunto de elevados na entrada da própria cidade e por aí mundo afora. Mas aqui como os interesses privados estão acima dos interesses públicos, por questões estéticas vai se derrubar o elevado para fazer um túnel com todo confinamento, com todos os problemas de drenagem que vão existir, com todos os problemas de rampa que também vão existir. Mas para o elevado a justificativa é a estética, agora para o píer em “Y” ele admite porque é um novo negócio, é uma nova obra, é uma nova empreitada. Os próprios arquitetos se posicionam por unanimidade nos jornais de forma contrária. Há uma proposta de um píer em “E” e não em “Y”, que seria um pouco menos agressivo. Mas nem isso Docas quer discutir, porque precisa fazer com que o empreiteiro faça a obra.

a lástima que vivemos neste País e neste Estado e também nesta cidade é que nós vivemos sob a égide do interesse privado contrariando os interesses públicos, eis porque o píer em “Y” é uma obra federal, a Companhia Docas está subordinada ao Governo Federal. Mas quando é um caso desse o alcaide vira Pôncio Pilatos, lava as mãos. O Governador do Estado viaja para Paris para não ver o que está acontecendo, mesmo quando a sua Secretária de Cultura veio a público para se dizer contrária a obra em “Y”. O Secretário de Transportes é omisso, eu tenho que dizer o nome, o Secretário de Transportes Júlio Lopes é omisso por natureza. Então, quem dita as normas no nosso Estado são os interesses privados. É mais uma obra para agredir a cidade que vai se associar à derrubada da Perimetral, derruba a Perimetral porque é uma intrusão visual e faz o píer em “Y” da Praça Mauá sendo também uma forte intrusão visual. Não há o mínimo de coerência nem no discurso e muito menos na ação.”