Luiz Paulo exalta Bondinho do Pão de Açúcar e questiona sanha demolidora do governo da cidade do Rio de Janeiro e do Estado do RJ

O deputado Luiz Paulo lembrou em Plenário de um projeto de lei (299/2011) de sua autoria que foi sancionado e transformado em lei (6092/2011): o ano de 2012 como o ano do centenário do bondinho do Pão de Açúcar, que será comemorado no próximo dia 27 de outubro.

“Eu apresentei um projeto nesta Casa, que virou lei, estabelecendo que o ano de 2012 seja o ano de comemoração do centenário do nosso bondinho do Pão de Açúcar. É um monumento histórico; um dos primeiros implantados no mundo; tem um apelo turístico fantástico; tem uma visão panorâmica de 360 graus da Zona Sul inteira da nossa cidade, como também parte da nossa Baía de Guanabara; é uma obra de engenharia da maior relevância e é um dos pontos admiráveis, que junto com o Corcovado constituem os cartões postais da nossa cidade no mundo. Então, nada mais justo que em 2012 continuemos a festejar a cidade e poder ter esse grande cartão postal.”

Luiz Paulo lamentou, entretanto, que diversos pontos históricos da cidade do Rio de Janeiro,ao contrário do Pão de Açúcar estejam sendo leiloados para serem derrubados por motivos torpes.

“(é) uma leitura bastante triste e desestimulante em relação aos atos que são praticados pelo “imperador” do Estado do Rio de Janeiro, o Governador Sérgio Cabral, e pelo “príncipe regente” da Cidade do Rio de Janeiro, o Prefeito Eduardo Paes, com seus propósitos constantes de demolirem os patrimônios históricos de nossa cidade.

Jamais governos, em tempo algum, na história da nossa República, desejaram e executam tantas demolições quanto essa dupla Cabral-Eduardo Paes. Senão vejamos. (…) Vamos enumerar os imóveis e os interesses que estão por trás dessas demolições.

Vamos começar pelo Quartel General da Polícia Militar, na Rua Evaristo da Veiga. O “imperador” Sérgio Cabral vai demoli-lo, com o aval desta Casa Legislativa, com exceção dos de costume, para amealhar poucos milhões de reais para o cofre público, mas maculará definitivamente a história da centenária instituição que é a Polícia Militar. E atrás dessa venda, vem erigir-se no local um grande prédio, com o uso do solo já definido pelo “príncipe regente”, o Sr. Eduardo Paes, numa ação concertada entre os dois. E a demolição do QG da PM também vai atingir parte do quartel da Rua São Clemente, da Tijuca, da Delegacia de Combate ao Sequestro, e por aí vai. Esse é o primeiro exemplo que estou citando.

Vou citar o segundo: do lado da Passarela do Samba, na esquina da Rua Comandante Mauriti, existia ali o que foi o início da luta sindical de nossa cidade, que intitulávamos o prédio da Brahma. O Governador demolidor, bem tombado, destombou, por iniciativa do Parlamento aquele prédio. Ele foi implodido, com direito à transmissão de TV, e lá será erigido um dos prédios mais luxuosos desta cidade, e também com gabarito fenomenal ofertado pelo “Príncipe Regente Eduardo Paes”.

Continuemos: agora está publicado o edital da parceria público-privada – e se V.Exa. quiser tira no site da Casa Civil – para administração, para gestão, para operação do Complexo do Maracanã. Quem fez o estudo de viabilidade, Deputado Paulo Ramos, para o “Imperador Sérgio Cabral”, foi a empresa do Sr. Eike Batista. O Estado não tem nem mais competência de fazer estudo de viabilidade; é a iniciativa privada que faz para ele.

Nesse estudo de viabilidade, coordenado pelo Secretário que, seguramente, entende muito do tema, o Secretário Régis Fichtner, concluiu que para o evento da PPP ser viável será necessário demolir a Pista de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Julio Delamare. Vão demolir, para que nessas praças desportivas, recentemente recuperadas com dinheiro público para o Panamericano, lá possam ser erigidas lojas e restaurantes para viabilizar o negócio.

A pista de atletismo e o parque aquático serão construídos do outro lado da via férrea, onde tem as cocheiras imperiais – que, aliás, eles queriam também demolir, mas foram obrigados a voltar atrás. E aí, vão construir com dinheiro público para prestigiar, seguramente, quem irá vencer a licitação, que foi quem fez o estudo de viabilidade.

E não para por aí. Só um minutinho, Deputado, vou lhe conceder o aparte. E agora o “Demolidor Imperador Sérgio Cabral” escolheu o Museu do Índio para jogar no chão, que está lá desde 1920. Fizemos uma Copa do Mundo, em 1950, com o Museu do Índio lá, com o dobro do público e ele não interferiu em nada.

(…)

Mas esse ímpeto demolidor do “Imperador Sérgio Cabral” não para aí. O nosso querido e histórico Hospital do Iaserj também está sendo demolido; o Hospital de Doenças Infectocontagiosas São Sebastião, da Ponta do Caju, também foi largado às traças e demolido. E atrás disso tudo vem à tona sempre se deslumbrando um negócio, mas um negócio que, no meu entendimento, não é o melhor para a cidade nem tampouco para a população, até porque não existe nenhum debate sobre esses temas, nenhuma audiência pública. São decisões imperiais, imperiais. Não estou querendo fazer chacota dizendo que o Governador é “Imperador” e o Prefeito Eduardo Paes é “Príncipe Regente”, porque eles sofrem do mesmo mal. O “Príncipe Regente” começou a demolição da rampa da Perimetral, porque acha que a Perimetral, esteticamente, é feia. Vai tirar o congestionamento de cima dos elevados e botar dentro de um túnel sujeito a inundações, como aconteceu, anteontem, na passagem subterrânea da Barra da Tijuca e como volta e meia acontece no nosso Mergulhão da Praça XV, onde, se sequer as escadas rolantes funcionam, imaginem o sistema de bombeamento! E a mídia – e eu fico em perplexidade -, fica silenciosa em relação a isso tudo.

(…) citei (…) que o “Imperador” Sérgio Cabral, com o silêncio do “Príncipe Regente” Eduardo Paes, começou a destruir a Praça Nossa Senhora da Paz. Escolheram a metodologia construtiva de fazer a estação do Metrô da Nossa Senhora da Paz em escavação a céu aberto, quando poderiam fazer a mesma obra com a metodologia de escavação por um tatuzão, um equipamento colocado no subsolo, que escava sem destruir a parte superficial do terreno.

Então, (…) é necessário que insistamos nesses temas, que são exemplos de práticas continuadas, com o silêncio quase geral da sociedade e em especial deste Parlamento, com a exceção daqueles doze de sempre, que não estão presos ao ditame de dizer sempre ‘sim’ ao poder constituído.”