Luiz Paulo critica falta de estudos aprofundados nas obras da cidade

O deputado Luiz Paulo, ao discursar em plenário, fez duras críticas às obras que estão acontecendo na cidade, sem o devido estudo de impacto ambiental e principalmente sem ouvir as demandas da população. Frisou a ida a uma Audiência Publica, na segunda feira (22) para tratar o Eia/Rima da agora chamada Transolímpica.

“É um projeto importante para a Cidade. É um projeto do qual ainda não tenho informação precisa se será uma concessão ou uma parceria público-privada, visando implantar um eixo viário com pista dupla com três faixas por sentido, sendo que uma das faixas segregada é destinada ao BRT. Ela sai de Deodoro coincidente com a Trans que vai passar pela Av. Brasil, vai até Magalhães Bastos, dobra à esquerda em direção a Jacarepaguá fazendo a integração com a ferrovia em Magalhães Bastos e se desenvolve passando por Boiúna, por Curicica, pela Estrada dos Bandeirantes chegando até a Avenida Salvador Allende, na Barra da Tijuca, nos limites com Jacarepaguá, uma via de 26 Km de extensão.

Achei algumas falhas que considero fundamentais nessa audiência pública. É que, com relação ao projeto, na audiência pública, foi analisada e discutida a proposta do EIA/Rima somente até a Estrada dos Bandeirantes, sem chegar à Salvador Allende, e uma das questões fundamentais nesse BRT é a integração do mesmo com a Transcarioca, em Curicica, nas imediações do Riocentro, e a integração com a Transoeste, no cruzamento da Salvador Allende com a Avenida das Américas.

Ora, um projeto de engenharia tem que ter sinergia com os outros sistemas, não pode ser fracionado, como foi, sob o ponto de vista de prejudicar a análise do impacto ambiental. Além do mais, não verifiquei o estudo de demandas futuras da projeção de volume de tráfico que vai impactar a Salvador Allende, a Abelardo Bueno e a Avenida das Américas. Também não vi nenhum estudo da demanda de passageiros que virão pelo BRT, isto é, pelo corredor segregado de ônibus. Por isso uma via dessa importância para a Cidade do Rio de Janeiro careceu do respeito e da consideração da audiência pública, pelo projeto não estar completo. Há uma ansiedade das pessoas, inclusive em relação às próprias desapropriações que daí advirão.

É claro que não há ninguém, ou praticamente ninguém, na Cidade do Rio de Janeiro, que não queira ligar, com uma via transversal, Magalhães Bastos a Jacarepaguá e à Barra da Tijuca em um eixo de 26 Km de extensão. No entanto, é preciso que esses estudos ambientais sejam os melhores e os mais profundos possíveis para que não haja surpresas ao longo do empreendimento.”

Lembrou ainda que começaram também na segunda feira, as obras do que ele considera pseudolinha 4 do Metrô e citou o artigo da Sra. Ignez, da liderança da Praça Nossa Senhora da Paz.

“Começaram as obras da pseudolinha 4 do Metrô, isto é, do “linhão” do Metrô, da continuação da linha 1, desde as imediações da Praça General Osório, passando pela Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e daí pelo Jardim de Alah, indo até o Leblon, do Leblon, evidentemente, indo à Gávea, e da Gávea a São Conrado e à Barra. Ora, esse traçado alternativo não foi o que a imensa maioria das associações de moradores queria. Eles queriam o traçado original da linha 4, que passava por Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico, Gávea, e daí São Conrado e Barra.

Todos na Zona Sul, sem exceção, querem o metrô, mas todos querem também que seja respeitado aquilo que é imperioso para o processo democrático: a participação popular. A Praça Nossa Senhora da Paz é tombada, é uma praça que tem que ser preservada com algumas árvores praticamente centenárias. Essa praça precisa manter a sua integridade, e há duas questões que preocupam sobremaneira a comunidade lindeira à Praça N. S. da Paz. A primeira é quanto ao método construtivo: o metrô será feito por método construtivo não destrutivo: em linguagem popular, escavar, botar o tatuzão na cota que tem que fazer a escavação e ele ir perfurando sem destruir a superfície. Mas na Praça N. S. da Paz o método construtivo é o mais antigo, é escavação a céu aberto, para depois construir as paredes e elas terem a laje de teto para, com essa laje de teto, depois colocar o cobrimento em solo sobre ela e restabelecer a praça. Só que, com essa metodologia construtiva, serão liquidadas muitas árvores centenárias, e não adianta depois plantar mudar de um metro, porque vão levar cem anos para crescer; vai-se mexer em profundidade, no lençol freático, e vai se afetar toda a ambiência vegetal da praça. Esta é uma questão não resolvida pelo Governo do Estado, assim como o trânsito dos pedestres que demandarão o metrô, para que eles não circulem pela praça, o que leva também a uma rápida destruição da mesma.

Nesse sentido, a Sra. Ignez, liderança da Praça N. S. da Paz, escreveu um belo artigo, hoje, no jornal O Globo, cuja autorização para publicação nos Anais desta Casa solicito a V. Exa., Sr. Presidente.

(…)

O artigo faz uma análise bastante oportuna, e espero que o Governo estadual o leia e faça uma autocrítica quanto às suas decisões. Mas espero que não seja da forma que o Governador Sérgio Cabral disse ontem, que “os elitistas não querem o metrô”. Todos querem o metrô, sem exceção, mas querem que a obra respeite os bens tombados e os anseios de cada comunidade local. Não há um cidadão nesta cidade supercongestionada que não queira um transporte de massa de qualidade como o metrô.”