Luiz Paulo faz um balanço das eleições no Estado

O deputado Luiz Paulo fez o uso da palavra em plenário para abordar as eleições municipais no estado do Rio de Janeiro e comentou o desempenho do PSDB.

 

“Quero fazer um balanço das eleições que aconteceram no domingo, dia 7 de outubro, com enfoque especial no partido que presido, o PSDB, um dos raros partidos de oposição na Casa. O PSDB, o PSOL e o PR são os três partidos claramente definidos como oposição. É claro que outros Deputados, à revelia dos seus partidos, engrossam essas fileiras como, por exemplo, o Deputado Paulo Ramos.

Ora, isso representa dizer que este campo de força desses três partidos está isolado no processo político do Estado, perante os outros 27 que estão no campo do Governo Sérgio Cabral. Não é à toa que o Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro fez uma aliança de 19 partidos políticos. É claro, não há representante dos 27 aqui, são do campo. Por isso, esse desempenho tem que ser visto diante dessa proporcionalidade. E nós do PSDB, como também é o PSOL, somos oposição ao Governo Federal, ao Governo do Estado e ao município da capital. O PR, como partido, no nível nacional, tem bases no Governo Federal.

Feitas essas referências, eu diria que o PSDB produziu aqui no Estado do Rio de Janeiro um resultado possível de se alcançar. Elegemos dois prefeitos, o Prefeito de Trajano de Morais e o Prefeito de Itaguaí. O Prefeito de Itaguaí em aliança com o Partido dos Trabalhadores, que deu o vice para a chapa. Talvez a maior surpresa eleitoral de toda campanha, porque o Luciano, que é o nome do nosso candidato em Itaguaí, ganhou a eleição contra tudo e contra todos, já que aquele império estruturado em Itaguaí e Mangaratiba, através do Prefeito Charlinho, desabou.

(…)

Mas foi uma vitória memorável. É um município importantíssimo do nosso Estado, porque lá está o Porto de Itaguaí, com sua imensa retroárea, com siderúrgicas. Enfim, é um município que hoje cresce a olhos vistos e precisa de um gestor honesto e competente. Essas foram as nossas duas vitórias.

Elegemos, em aliança, seis vice-prefeitos: em Rio Bonito, Italva, Cardoso Moreira, Cabo Frio – ainda sub judice, que é o Silas Bento, vice do Alair Correia –, Paraíba do Sul e Santa Maria Madalena, terra de nossa sempre querida Dercy Gonçalves. Além disso, elegemos 43 Vereadores. Então, considero um resultado fruto de muito esforço e dedicação.

Ainda estamos na disputa do 2º turno, em São Gonçalo, onde o vice é do PSDB, a Mariângela. Estamos também no segundo turno, sem vice, mas apoiando, com Bernardo Rossi, em Petrópolis. Fomos vitoriosos, em alianças, numa série de municípios, como, por exemplo, Nilópolis, São João de Meriti. Estamos no segundo turno, em apoio, em Belford Roxo. É necessário que esses números sejam analisados nesse contexto político, que eu aqui citei. Não são números de um sonho, mas são números possíveis de terem sido conseguidos.

Mas eu queria ainda em tempo fazer uma análise política das eleições na Capital, já que elas estão concluídas. O que observamos foi que o Alcaide fez uma aliança com 19 partidos políticos, tendo, o tempo todo, uma dupla militância de prefeito e candidato, tendo uma exposição imensa, inclusive no encerramento das Olimpíadas em Londres. Com isso, alcançou grande destaque midiático.

Ao mesmo tempo, o candidato Freixo conseguiu se posicionar num campo mais nítido de oposição. O eleitor preferiu fazer o segundo turno no primeiro e, com isso, alijou do processo eleitoral os principais candidatos que não estavam nesses dois campos, como, por exemplo, o meu candidato Otávio Leite, o Rodrigo Maia e a própria Aspásia Camargo.

Esse foi um fato anômalo associado a uma abstenção de votos nulos e brancos, para Prefeito, que atingiu mais de 30%, sendo que a abstenção esteve na ordem de 25%, uma das maiores do Brasil. E, para Vereador, a abstenção de votos nulos e brancos foi superior a 40%, o que fez com que houvesse uma redução brutal dos votos disponíveis para vereador, salvo o expressivo número de candidatos que oscilou no entorno de 1.700 candidaturas.

Queria realçar aqui que a campanha do nosso candidato, Deputado Federal Otávio Leite, para mim, foi digna de todos os elogios, sob o ponto de vista comportamental, da proposta, da defesa das ideias, mas cada eleição é uma eleição e essa teve essa característica de querer se fazer o segundo turno no primeiro. Então, diante disso, eu nunca busco desculpa para resultado eleitoral porque temos que respeitar a democracia e o voto da população, mas é interessante que possamos nos aperceber de como se deu o processo, até como aprendizado, e mostrada a relevância, Sr. Presidente, de se ter uma profunda reforma político-partidária no nosso País, porque o resultado das urnas foi claro no Brasil inteiro: não dá para o eleitor votar em candidatos proporcionais tendo mais de 30 partidos políticos. Os partidos estão se liquefazendo. As pessoas votam nos candidatos, independente de que partido estejam. Tanto isso é verdade que cada vez mais se espalha o número de prefeitos perante todos os partidos políticos.

Então, queria deixar claro que ou o Congresso Nacional, por iniciativa do Chefe do Poder Executivo, toma as rédeas para fazer uma profunda reforma político-partidária, ou em cada eleição proporcional o grau de inaceitação dos candidatos pela população se torna maior ainda.”